Cruzeiro pagou "bicho" total a Luxemburgo

Enquanto os jogadores do Cruzeiro tiveram de aceitar o parcelamento do prêmio pela conquista do Campeonato Brasileiro, o técnico Vanderlei Luxemburgo recebeu o "bicho" integralmente. A informação foi confirmada nesta terça-feira pelo vice-presidente de Futebol do clube mineiro, Zezé Perrella. O privilégio concedido pela diretoria a Luxemburgo teria gerado insatisfações entre os jogadores e seria mais um dos fatores que azedaram o ambiente no Cruzeiro, culminando com a saída do treinador e de Rivaldo. Perella, contudo, garantiu que os atletas só tomaram conhecimento do caso nesta segunda-feira. Antes de deixar a Toca da Raposa II, o ex-treinador cruzeirense reclamou publicamente, por mais de uma vez, da falta de "sintonia" entre ele, os jogadores e os dirigentes. A repercussão do episódio levou a diretoria a anunciar que a premiação começará a ser paga no dia 25. O clube mineiro esperava quitar o débito no dia 30 de dezembro com a venda do volante Augusto Recife para o futebol russo, mas o negócio não foi concretizado. Apenas Luxemburgo embolsou sua parte, cujo valor não foi revelado. Em entrevista à imprensa local, o presidente do Cruzeiro, Alvimar de Oliveira Costa, disse que o treinador insistiu em receber o prêmio argumentando que tinha "compromissos pendentes". "A situação entre nós e o Vanderlei já vinha se desgastando por causa do gênio forte dele, por causa das posições dele", reafirmou Perrella. O diretor de Futebol, Eduardo Maluf, admitiu que o atraso no pagamento da premiação "gerou insatisfação" entre os jogadores. O prêmio prometido a cada atleta pelo inédito título - de até R$ 100 mil, dependendo do número de partidas disputadas - foi parcelado em seis vezes. Ao todo, o Cruzeiro terá de gastar R$1,8 milhão com os 33 jogadores que participaram da campanha. Na semana passada, uma declaração do meia Alex de que "questões pendentes" envolvendo o grupo cruzeirense estariam influenciando o baixo desempenho do time em campo foi o estopim para a crise. Na segunda-feira, o camisa 10 disse que as pendências persistiam, mas que as polêmicas surgidas a partir de suas declarações serviram para reaproximar a diretoria dos jogadores. "Nós tivemos uma série de problemas nesse ano (2003) de conquistas, só que nós resolvemos tudo internamente. Há um mês, ao invés de resolver as coisas internamente, o Vanderlei colocou (os problemas) externamente, o Alex também e a diretoria teve de intervir impondo sua autoridade", justificou Maluf.

Agencia Estado,

02 de março de 2004 | 18h59

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