Bruno Haddad/Cruzeiro
Bruno Haddad/Cruzeiro

Cruzeiro quer corte de até R$ 8 mi na folha de pagamento para disputar a Série B

Clube mineiro promete economizar no elenco para se adequar à realidade após o rebaixamento

Leonardo Augusto, especial para Estado, O Estado de S. Paulo

09 de dezembro de 2019 | 15h44

O planejamento do Cruzeiro para a disputa da Série B do Campeonato Brasileiro de 2020 tem como principal meta um corte entre R$ 7 milhões e R$ 8 milhões na folha de pagamento do clube, o que significaria uma economia entre R$ 91 milhões e R$ 104 milhões por ano para o time. O corte, segundo o diretor de comunicação, Valdir Barbosa, vai atingir principalmente os valores pagos aos jogadores. "Vamos acabar com grandes salários", disse.

Barbosa afirma que a redução nos gastos com folha poderá ser feita de várias formas. Demissões, renegociações de contratos, empréstimos de atletas a outros clubes com parte dos salários, ao menos, transferidos ao time que passou a contar com o jogador. O objetivo é se adequar ao cenário da Série B, que gira volume financeiro em contratos de transmissão e patrocínios inferior ao da Série A.

O dirigente disse não ter o exato valor da folha do clube, mas que a redução envolveria cerca de 50% do que é pago hoje em salários pelo Cruzeiro, indicando que o custo mensal do time com pessoal seria de aproximadamente R$ 16 milhões. Haverá cortes também na área de administração da equipe, mas em menor escala. "Tem que organizar. Queremos fazer um plano de reconstrução. Tem que cortar gastos, equilibrar despesas, colocar no papel de forma ordenada o que é preciso fazer", apontou o diretor do Cruzeiro.

Barbosa disse ainda que não há prazo para que todas as definições de cortes sejam feitas. "Quando a coisa chega no ponto que chegou, temos que ir por partes prioritárias, observando o planejamento global". O dirigente reconhece que redução em salários dos jogadores é algo "complexo", por envolver questões trabalhistas. "Vamos ter que cortar por cima. O que posso garantir é que vamos acabar com grandes salários, salários exagerados", afirmou.

O presidente do Conselho Deliberativo e Gestor de Futebol do Cruzeiro, Zezé Perrella, que não falou nesta segunda-feira sobre o futuro do time, disse no domingo, depois da derrota do time por 2 a 0 para o Palmeiras no Mineirão, em resultado que sacramentou a ida para a Série B, que não era possível afirmar que iria dispensar esse ou aquele porque existem contratos. "Temos que fazer reestruturação grande. Se estamos com dificuldade para pagar esses salários na Série A, como vamos pagar na Série B? Teremos que conversar com quem tem esses salários altos", anunciou.

O diretor de comunicação do clube reiterou que Perrella e o técnico Adílson Batista seguem nos postos que ocupam. Também depois da partida de domingo, o sucessor de Abel Braga no comando do Cruzeiro disse que o time será reformulado e deu a entender que jogadores da base serão utilizados neste processo. "Essa geração mais nova que tem a cabecinha boa, com foco no trabalho, estamos aqui para ajudar", indicou.

CLIMA

Pela manhã e no início da tarde desta segunda-feira ainda era possível ouvir buzinas e foguetes em Belo Horizonte, em comemoração de torcedores do arquirrival Atlético-MG pelo rebaixamento do Cruzeiro. O clube alvinegro também já esteve na atual situação. Caiu em 2005 e disputou a Série B em 2006.

Um bar na Savassi, conhecido como reduto de atleticanos, organizou um churrasco para esta segunda-feira com uma caixa de cerveja por conta do proprietário, João Pimenta. "Resolvemos fazer o churrasco porque o Atlético é o único time de Minas que vai disputar a Série A em 2020", justificou. Pela manhã, na conta oficial do Atlético-MG no Twitter, o clube postou "Bom dia! Tenham uma ótima SEGUNDA!", destacando a letra B, de '"bom'", e escrevendo a palavra "segunda" em caixa alta.

Após a depredação do Mineirão depois do jogo de domingo, com partes de cadeiras sendo arremessadas no gramado, balanço final da Polícia Militar aponta para quatro torcedores detidos e 32 submetidos a atendimento médico no posto de saúde do estádio ou no hospital de Pronto-Socorro João XXIII. Nenhum em estado grave e todos os feridos já foram liberados.

Em nota divulgada nesta segunda-feira, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) afirmou que está acompanhando "o trabalho dos órgãos de segurança do Estado para apurar as ocorrências registradas durante e após o jogo deste domingo entre Cruzeiro e Palmeiras, pelo Campeonato Brasileiro", e que "adotará todas as medidas cabíveis para responsabilizar cível e criminalmente todos os envolvidos, inclusive, torcidas organizadas, caso apurada a participação delas".

O MP disse lamentar "que um evento desportivo, o futebol, que representa uma parte importante da cultura do nosso país e de nosso estado, venha sendo utilizado por alguns para disseminar o ódio e a violência, mas reforça que continuará atuando de maneira firme, seja preventivamente ou por meio da responsabilização de criminosos, para garantir ao verdadeiro torcedor a possibilidade de ir ao estádio em um ambiente livre de violência".

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