Sérgio Neves/Estadão
Sérgio Neves/Estadão

Cruzeiro, São Paulo, Inter e Corinthians se tornam 'clientes' do G-4

Os quatro clubes que avançaram à Libertadores já estiveram 22 vezes entre os quatro do torneio nacional na era dos pontos corridos

MATEUS LUIZ DE SOUZA, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S. Paulo

08 de dezembro de 2014 | 12h31

Supremacia. É assim que podemos definir os times que completaram o G-4 do Campeonato Brasileiro que acabou ontem. Isso porque na era dos pontos corridos, que começou em 2003, estão entre os que mais vezes avançaram à Libertadores por esse caminho. São Paulo (8), Cruzeiro (6), Internacional (4) e Corinthians (4) são presenças constantes na lista dos quatro primeiros colocados, ao lado de Grêmio (5) e Fluminense (4). Nunca houve uma edição nessa fórmula de disputa em que os quatro não estivessem presentes.

Esse quarteto também reúne oito títulos em doze edições do formato - ou 66 % dos canecos desse período. O Cruzeiro ergueu a taça em 2003, 2013 e 2014, o São Paulo conquistou o inédito tricampeonato em 2006, 2007 e 2008, enquanto o Corinthians comemorou em 2005 e 2011. Apenas o Inter ainda não foi campeão nesses 12 anos. O clube gaúcho foi vice em três oportunidades: 2005, 2006 e 2009.

O predomínio continua também em relação a Libertadores. Os quatro clubes somam oito conquistas continentais - o G-4 mais recheado ao lado do de 2006 e 2008. Metade dessas conquistas, por sinal, aconteceu na era dos pontos corridos. O tricolor paulista foi campeão em 2005, o colorado em 2006 e 2010, e o alvinegro paulista ganhou a edição de 2012.


"O São Paulo se prepara sempre para ser campeão. Como é muito difícil atingir este objetivo todo ano, ao menos ficamos entre os quatro primeiros", diz Ataíde Guerreiro, vice de futebol, sobre o fato de o clube do Morumbi ser o time que mais vezes esteve presente no pelotão da frente: 2003, 2004, 2006, 2007, 2008, 2009, 2012 e 2014.

O dirigente acredita que o título poderia ter vindo esse ano se o trio contratado do exterior (Kaká, Michel Bastos e Alan Kardec) tivesse estreado mais cedo - só jogaram depois da Copa do Mundo. “Não que o Cruzeiro não tenha feito uma ótima campanha, mas perdemos muitos pontos em casa antes desses atletas chegarem que não perderíamos”, diz.

Para o título voltar às mãos do São Paulo ano que vem, planejamento é essencial. Ataíde Guerreiro diz que o clube busca dois ou três reforços para ser titular antes do campeonato começar, e assim poder ter força máxima durante toda a competição.

Fernando Carvalho assumiu a presidência do Internacional em 2002 e foi o responsável por recolocar o Internacional na briga pela parte de cima da tabela do Brasileirão - além de conquistar em seu mandato o título da Libertadores e do Mundial em 2006.

Para o ex-dirigente colorado, esses clubes que despontam quase todos os anos entre os melhores do campeonato têm um ponto em comum: não tomam muitas decisões traumáticas. "Nem sempre é possível, mas em geral eles mantêm jogadores, comissão técnica. A cultura do futebol brasileiro não permite que um técnico permaneça muito tempo no comando de um clube. Por isso eu considero um êxito no trabalho de planejamento quando um treinador fica um ano completo em um clube", diz Fernando Carvalho.

Foi o caso de Internacional e Corinthians este ano - Abel Braga e Mano Menezes chegaram no começo de 2014 e tiveram toda a temporada para realizar seu trabalho, apesar de algumas ameaças ao cargo ao longo desses 365 dias. A pressão no futebol brasileiro sobre os treinadores é tão grande que, apesar da vaga na Libertadores, ambos não devem permanecer no comando de seus clubes. Tite é apontado como principal candidato a assumir como técnico tanto no Beira Rio como no Parque São Jorge.

O Corinthians alterna bons e maus campeonatos desde o início dos pontos corridos. Em 2003 e 2004, campanhas medianas, e o título em 2005, no ano da polêmica Máfia do Apito. Em 2006 novamente uma campanha mediana - acabou na nona posição - até a queda para a segunda divisão em 2007. Uma décima posição em 2009 para em 2010 brigar pelo título até a última rodada - acabou em terceiro, atrás de Fluminense e Cruzeiro. Em 2011, arrancada fulminante nas dez primeiras rodadas - nove vitórias e um empate - e o título no fim do ano. Em 2012 e 2013 o clube foi novamente coadjuvante, e agora voltou a fazer uma boa campanha, garantindo a vaga na Libertadores. 

"O Corinthians quer fazer mais jogos internacionais, por isso o objetivo é sempre estar na Libertadores", diz Edu Gaspar, gerente de futebol do clube. Apesar de pagar salários para atletas que estão em outros times - casos de Sheik e Pato, principalmente, que as cifras são maiores - ele não vê isso como erro de planejamento. "São coisas pontuais, que todos os clubes têm. Mas nosso objetivo é diminuir esse valor", afirma Edu.

Se o fato de o Campeonato Brasileiro estar cada vez mais dominado por esses quatro times (seis, incluindo Fluminense e Grêmio) é uma tendência, Edu Gaspar é enfático. "Tendência eu não sei, mas o objetivo é. Digo pelo Corinthians: somos bem estruturados, centro de treinamento moderno, arena maravilhosa. A tendência é melhorar ano após ano, em todos os segmentos, e ter um time cada vez mais forte, que brigue cada vez mais pelas primeiras posições", diz.

G-4 DA ERA DOS PONTOS CORRIDOS

2003

Cruzeiro

Santos

São Paulo

São Caetano

2004

Santos

Atlético-PR

São Paulo

Palmeiras

2005

Corinthians

Internacional

Goiás

Palmeiras

2006

São Paulo

Internacional

Grêmio

Santos

2007

São Paulo

Santos

Flamengo

Fluminense

2008

São Paulo

Grêmio

Cruzeiro

Palmeiras

2009

Flamengo

Internacional

São Paulo

Cruzeiro

2010

Fluminense

Cruzeiro

Corinthians

Grêmio

2011

Corinthians

Vasco

Fluminense

Flamengo

2012

Fluminense

Atlético-MG

Grêmio

São Paulo

2013

Cruzeiro

Grêmio

Atlético-PR

Botafogo

2014

Cruzeiro

São Paulo

Internacional

Corinthians

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