Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Cuca antecipa estreia, garotos tomam o São Paulo de assalto e Pato é contratado

As três informações ajudaram a tirar o time do buraco, mudaram o astral dos jogadores e da torcida e dão um fio de esperança no Estadual

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2019 | 14h57

Caro leitor,

Na última coluna, capítulo 3, afirmei que era preciso a chegada de Cuca para que alguma coisa acontecesse no São Paulo de diferente que pudesse estimular uma retomada da equipe de modo a fazer com que ela reencontrasse o caminho do bom futebol, ou ao menos do futebol competitivo, e, principalmente, das vitórias. E que a diretoria do Morumbi deveria chamar Cuca antes do prazo combinado. Portanto, achei coerente e necessária a atitude de Leco e Raí de baterem à porta do treinador e antecipar sua chegada, de 15 de abril para dia 2. Ótimo. O time só tende a ganhar com isso.

Ocorre que um outro fato interessante fez mudar a condição do São Paulo na temporada. De patinho feio o time passou a dar um pingo de esperança à sua torcida. Foi a participação dos garotos da base na equipe principal, escalados por Mancini. Antony, Liziero, Igor Gomes, Luan, Benner, são todos meninos que tomaram o vestiário de assalto e trataram de correr pelas vagas "dispensadas" pelos marmanjos. Exceto por Liziero, todos os garotos saíram da condição de promessa de Cotia para assumir funções mais protagonistas em campo. E todos eles foram bem nas últimas partidas, sustentando o time na semifinal do Estadual e espantando, momentaneamente, a crise que tomava conta do clube. Ouça o que o repórter Raphael Ramos, do Estado, publicou no podcast do clube.

A semana também teve um terceiro fato preponderante, que respinga diretamente no elenco e na confiança dos jogadores dentro de campo. Trata-se da contratação de Alexandre Pato. Por si só, ela já chega envolta em grandes expectativas. Há mais nesta negociação. O São Paulo mostra-se forte ao brigar e ganhar a briga com o Palmeiras pelo jogador. Isso repercute no vestiário e na torcida. Pato também preferiu o clube do Morumbi, outro ponto que pode ser usado numa preleção de semifinal de Paulista. O São Paulo estava se apequenando, mas consegue, em duas semanas, respirar fora do buraco e mostrar um caminho para sua gente. Reação importante em função de tudo o que estava acontecendo: jogadores indo embora, partidas ruins, troca de técnico, confusão no elenco...

Se passar pelo Palmeiras, o que não será fácil, vai para a final do Regional, que não vence desde 2005. O futebol tem dessas coisas. Nunca um time está tão ruim que não pode se recuperar e nem sempre está totalmente recuperado que não pode se afundar. Há sempre surpresas e decepções. Daí a necessidade do equilíbrio constante. Após a classificação diante do Ituano, com duas vitórias, único dos grandes a conseguir tal façanha nesta fase, os são-paulinos adotam uma postura de mais cautela. Jogam, por exemplo, o favoritismo para o Palmeiras. Penso que depois das últimas apresentações, há uma possível igualdade nesse momento entre os rivais. O São Paulo passou a ser um time leve, ousado e abusado. O Palmeiras é mais maduro e cascudo. Vai ser bom de ver esse pega.

A aposta nos meninos de Cotia também vai de encontro ao que pensa e quer a diretoria do clube. As bases são atualmente fundamentais para a sobrevivência dos clubes brasileiros. Revelar e vender é o caminho, como comprova reportagem do Estado recentemente. Não viu? Veja aqui. Vale a pena. O fato é que o São Paulo tornou-se uma grata surpresa nessa fase de mata-mata. E isso pode beneficiá-lo daqui pra frente. E olha que teve são-paulino que torceu para a equipe ser eliminada a fim de poder se preparar melhor, para não fazer feio, para o Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil, suas outras competições na temporada. Ainda é cedo para cravar que tudo mudou no Morumbi. Teremos de esperar um próximo capítulo. O time ainda corre atrás de taças, de conquistas. Jogar bem é importante, mas não pode ser só isso. 

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