Gonçalo Junior/Estadão
Gonçalo Junior/Estadão

Cuca assume São Paulo em alto astral, com time mais confiante e bons reforços

Depois de Alexandre Pato, diretoria acerta com Tchê Tchê por quatro anos

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

02 de abril de 2019 | 11h43

 

Caro leitor,

No último capítulo desta coluna sobre a fase do São Paulo, apontei algumas boas-novas do time depois da saída de Diego Souza, negociado com o Botafogo. Pontuei que a equipe não era tão ruim que não pudesse recuperar parte do prestígio perdido nesta temporada, com apresentações ruins, jogadores correndo para lados diferentes e resultados que deixaram a desejar, como a eliminação na pré-Libertadores diante do argentino Talleres. Tudo isso, caro leitor, ficou para trás nesta reta final do Estadual, não tenho mais dúvidas disso, mesmo se o São Paulo não passar pelo Palmeiras no fim de semana. As duas equipes se enfrentam na semifinal agora no Allianz Parque após empate sem gols no primeiro confronto. O São Paulo nunca ganhou no estádio do rival, nem mesmo empatou. Mas o time, apesar da molecada, é mais maduro, sabe o que tem de fazer em campo e, principalmente, não tem medo de errar. O São Paulo virou um time corajoso, sem medos e fantasmas.

E as boas notícias não param de acontecer no CT da Barra Funda. Cuca assumiu o time nesta semana, falando o que o torcedor precisava ouvir, com serenidade e paciência, e sabendo exatamente onde ele amarrou seu burro na nova empreitada. Falou de conquistas, de clima bom no vestiário, de muito trabalho e de um time forte. Pato chegou depois de uma negociação demorada porque havia o interesse de outros clubes, como o Palmeiras. O Atacante falou de amor ao São Paulo, onde sempre foi bem tratado. Mas escolheu também a melhor oferta financeira para ele, como informei em meu blog no Estadão. Esta feliz.

Até os paus tortos do elenco parecem se endireitar com a nova fase. O goleiro Jean, envolvido numa confusão com o elenco e com o técnico Mancini, esperou a chegada de Cuca para pedir desculpas e tentar voltar a vestir a camisa do São Paulo. Já treina com o elenco de novo. Cuca costuma entregar esses casos para a diretoria, mas pode intervir pelo jogador até para apaziguar o ambiente e começar, de fato, zerado. O treinador já tomou também duas decisões importantes. A primeira delas foi não abrir mão de Mancini até o fim do Paulista. Quer o amigo ao seu lado contra o Palmeiras domingo e, se passar, na final da competição. A segunda decisão de Cuca foi abrir o treinamento de sábado no Morumbi para os torcedores. Quer sentir o calor da massa. Quer fazer as pazes com a torcida. E só ele poderia fazer isso neste momento. Cuca assume um São Paulo em alta.

Ele não nega a pressão pelas conquistas e para fazer o time voltar a jogar em grande estilo, sobretudo no Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil. Mas também admite um vestiário mais tranquilo, calminho. Até Nenê anda calado, aceitando as decisões sem cobrar, sem se manifestar, sem dar um pio. Ele está no mercado, mas Cuca tem o poder de segurá-lo se quiser. O treinador sabe que o clube vive pequenas conquistas capazes de fortalecer o grupo. Tchê Tchê chegou. Nem o fato de o estagiário ter usado uma foto para apresentar o jogador oficialmente no site do clube de um gol que o atleta fez vestindo a camisa do rival Palmeiras contra o próprio tricolor, em 2017, estragou a festa da contratação. Veja a foto no Fera. Foi engraçado, mas não passou disso. O momento é positivo. E isso é bom. Até uma nova camisa foi lançada semana passada, usando alguns atletas como modelo.

Tudo isso dá ao São Paulo uma nova cara, um novo caminho, um novo sabor. Claro, sem se esquecer que a torcida anseia por conquistas. E vai continuar cobrando por isso. O último título veio em 2012. Uma Sul-Americana. O último paulista é de 2005.

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