Cuca cai nas graças dos são-paulinos

O São Paulo, que enfrenta o Paraná, hoje, às 18 horas, no Morumbi, está longe de ter um elenco brilhante, sofre de algumas carências, principalmente no meio-campo, mas vem conseguindo resultados expressivos no ano ? é líder do Brasileiro e está nas quartas-de-final da Libertadores. Qual é, então, o segredo? Basta perguntar a qualquer jogador para obter a resposta (rápida e sem vacilo): a união do grupo e o espírito de luta. A diretoria e os mais veteranos da comissão técnica creditam boa parte desse sucesso a Alexis Stival, mais conhecido como Cuca. O paranaense, de 40 anos, faz questão de enfatizar em seu trabalho a importância da amizade entre os atletas, mais ou menos como prega Felipão ? os dois são parecidos na forma de agir. E vem tendo êxito. Para alcançar sua meta, usa vários tipos de artifício, além de boa dose de psicologia. Há algumas semanas, Rogério desentendeu-se, durante treino, com Omar Feitosa, um dos auxiliares do treinador. Cuca exigiu que os dois fizessem as pazes. ?Não aceito brigas.? Nos dias seguintes aos jogos, costuma fazer eleição interna. Os jogadores votam no melhor em campo. O vencedor recebe um presente do comandante ? calça, camisa, perfume ? e, claro, além da motivação, ganha confiança. No último, contra o Rosario Central, empataram Rogério e Grafite, com 11 votos. Os dois, assim, serão premiados. ?Eles estão ficando malandros. Empatam a disputa para que os dois recebam presente.? No domingo, após a partida contra o Coritiba, levou os atletas para jantar num tradicional restaurante da capital do Paraná e, depois, os liberou para que se divertissem um pouco. Em abril, foi com o grupo para Aparecida. Essa forma carinhosa e afetuosa de tratar o elenco garante a união entre os profissionais e o respeito ao seu trabalho. Embora seja amigo dos comandados, não pensa duas vezes em dar bronca ou fazer cobrança. E não abre mão do estilo linha-dura. Na noite de quarta-feira, por exemplo, durante a decisão por pênaltis entre São Paulo e Rosario Central, percebeu que Luís Fabiano estava encolhido, tenso, pois já havia desperdiçado uma cobrança no tempo normal. Mas nem cogitou poupá-lo. ?Não poderia deixar meu atacante fora da decisão por pênaltis.? Chegou até ele e contou um caso que viveu nos tempos de jogador. ?Era Portuguesa e Grêmio (Cuca jogava pelo Grêmio). Bati um pênalti e o Valdir Peres defendeu. Fui mudar o canto e ele pegou de novo. Falei para o Luís cobrar no mesmo canto, com força.? O artilheiro ganhou confiança, encheu o pé e marcou o gol. Nos últimos dias, Gustavo Nery queixou-se de dores musculares e pediu para não enfrentar o Paraná. Cuca não deu bola para sua solicitação e o escalou para o confronto desta tarde. ?Só não joga se a dor for maior do que ele pode suportar.? Com moral elevado e ótimo ambiente interno, o time pode se manter tranqüilo na liderança, se vencer o Paraná. Luís Fabiano, com dores na coxa direita, não joga. Gabriel entra no meio. Na quarta, o time pega o Deportivo Táchira, pela Libertadores.

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