Ivan Storti / Santos FC
Ivan Storti / Santos FC

Cuca enaltece jovens e evita se queixar das dificuldades: 'Valorizo o que tenho'

Para o técnico, atletas da base do Santos estão 'virando homens em campo'

Redação, Estadão Conteúdo

16 de dezembro de 2020 | 23h14

O técnico Cuca tem vários motivos para se queixar no Santos. Dificuldades financeiras, turbulência política, surto de covid-19, desfalques importantes e outros problemas. No entanto, o treinador preferiu valorizar o que tem à disposição e enaltecer os jovens jogadores, vários deles decisivos para a goleada por 4 a 1 sobre o Grêmio que levou à equipe à nona semifinal de Libertadores.

Cuca teve de preservar quase todos os titulares na derrota por 4 a 1 para o Flamengo no fim de semana. Os jovens receberam críticas, mas hoje deram conta do recado e foram fundamentais para o triunfo na Vila Belmiro, especialmente o atacante Kaio Jorge, autor de dois gols.

"O que me dói muito é expor a meninada no domingo como expus. Dói o coração. Não faz mal eu tomar quatro no Rio de Janeiro e arriscar 6 ou 8, mas tinha que dar o ideal para hoje, essa intensidade. hoje foram monstros. Esse jogo não foi ganho só hoje, foi trabalhado com a derrota dolorosa do Flamengo", ressaltou o treinador, em entrevista coletiva após a vitória.

"Eu sabia do potencial deles. Nunca me queixei das dificuldades. Eu valorizo o que tenho. Quando Grêmio empatou em Porto Alegre, vem raiva muito grande porque guris não merecem. E conseguimos entender hoje. Hoje eu entendi porque sofremos o gol lá. Tivemos início avassalador. Pegamos confiança, corpo e fizemos um grande jogo", avaliou.

Questionado sobre as intempéries que o Santos teve de superar para eliminar o Grêmio e se colocar entre os quatro melhores da Libertadores, Cuca não reclamou, mas expôs as adversidades, incluindo a ausência de dinheiro no clube. "Última coisa que pensamos no Santos é dinheiro, até porque está curto. Mas temos alegria para trabalhar", pontuou.

"Devíamos perguntar ao torcedor do Santos a alegria que ele sente hoje. Tanta dificuldade, pai do céu. Jogador com covid-19, que na hora H não pode jogar. E a gente vai criando opções. Não dormimos para pensar no Pituca, Pará, Jobson, Soteldo fora. A gente se pergunta e os meninos aparecem", comentou. O comandante santista valorizou os garotos crias da categoria de base, que, segundo ele, estão "virando homens" em campo.

"Passamos para eles a confiança e dão resultado desse. Fico muito feliz. Não sei se vamos para a final, mas estou muito orgulhoso desses meninos. Eles estão se transformando em homens dentro do campo. É a maior alegria do nosso trabalho", observou o técnico, que contou que chamou o ex-jogador Zé Roberto para dar uma palestra motivacional aos atletas na véspera do confronto.

Na próxima fase, o Santos vai enfrentar o vencedor de Racing e Boca Juniors em busca de uma vaga na final, disputada em jogo único, no fim de janeiro, no Maracanã. No Brasileirão, o título está muito distante e o objetivo é mais modesto: ficar na parte de cima da tabela.

"O Santos sempre chega, não podemos duvidar, mas é pé no chão. Vamos passar Natal e Ano Novo maravilhosos. Sabíamos que não lutaríamos pelo título do Brasileirão, mas que estaríamos na parte de cima. Nosso elenco não é para três competições, temos time ajustado e muitos meninos".

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