Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Cuca promete antecipar tratamento cardíaco para estrear mais cedo no São Paulo

Torcida organizada se concentra em frente ao local; treinador diz que gostaria de ir a campo o quanto antes

Renan Cacioli, O Estado de S. Paulo

18 de fevereiro de 2019 | 16h09

Sob clima tenso do lado de fora do CT da Barra Funda, o técnico Cuca foi apresentado na tarde desta segunda-feira pelo São Paulo. Enquanto a torcida pedia as saídas de membros da diretoria, incluindo o ídolo Raí, e de vários jogadores, lá dentro o novo comandante respondia sobre assumir a equipe em momento tão conturbado.

"Mesmo num momento complicado, venho muito energizado, queria muito estar amanhã no campo, mas infelizmente não posso. Tenho um final de tratamento que começou em 5 de dezembro e vai de quatro a seis meses para que eu esteja 100% apto. Mas, honestamente, acho que não vou esperar até o final desse tratamento, vou dar uma antecipadinha, porque sinto que estou bem bom (risos)", disse.

Ele só poderá trabalhar quando receber liberação médica, já que passou por cirurgia cardíaca no fim do ano passado. O presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, havia cravado o dia 15 de abril como o início oficial de trabalho de Cuca, que volta ao clube para sua segunda passagem. Em 2004, chegou até a semifinal da Libertadores e ajudou a montar o elenco multicampeão na temporada seguinte (Paulista, Libertadores e Mundial).

"Estou muito animado porque sinto que ainda posso contribuir para o São Paulo dentro da minha profissão. Sempre gostei de montar times dentro do orçamento que me é passado. Aqui não se trata disso, não estamos em dezembro, mas de melhora que vamos ter tanto dentro quanto fora de campo. Hoje estou fora, mas continuo atento ao mercado", explicou o comandante.

Enquanto Cuca estiver fora, a equipe será dirigida por Vagner Mancini, coordenador de futebol, a exemplo do ocorrido no clássico do último domingo, contra o Corinthians.

"Queria agradecer ao Mancini. Sem ele, não teria como aceitar. A gente fica frustrado pelo resultado de ontem, o torcedor está aí frustrado. O São Paulo é time ganhador, não entra em qualquer competição para ser segundo. E a gente tem de ser resiliente, num momento em que não ganha há tanto tempo, vêm as cobranças. Não gosto de trabalhar em situações duras assim, mas sei trabalhar assim. O Mancini, vou estar sempre em contato com ele. As formações vão ser da cabeça dele, mas o quanto antes vou estar trabalhando", comentou o técnico, que ainda fez um pedido à torcida tricolor:

"Pediria à torcida do São Paulo que tenha confiança em mim, da mesma forma que tenho no Raí, no presidente, no Mancini, que a gente vai fazer um trabalho bom".

Torcida pede saídas de Raí, Leco e jogadores

Conforme havia prometido, a Torcida Independente, principal organizada do clube, foi para a porta do CT, na Avenida Marquês de São Vicente, zona oeste da cidade, para se manifestar. Os alvos principais das críticas eram o presidente Leco, o diretor de futebol Raí e jogadores como Diego Souza e Nenê. "Raí, pede pra sair!", gritaram, em determinado momento do protesto. Seguranças particulares e agentes da Polícia Militar ficaram em frente ao local, fazendo uma espécie de cordão de isolamento. 

Nas últimas semanas, membros da Independente e de outras organizadas são-paulinas estiveram duas vezes no CT e foram recebidas por dirigentes e lideranças do elenco. Foram cobrar melhores resultados da equipe, que acabou eliminada precocemente da Libertadores e também patina no Campeonato Paulista.

No último domingo, parte da torcida do São Paulo entrou em confronto com a Polícia Militar em frente ao CT. Para conter os manifestantes, duas bombas de efeito moral e gás de pimenta foram lançadas contra os torcedores.

 

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