Cuca se incomoda com 'fantasma' de Luxa no Santos

Treinador do Palmeiras é amigo e ‘conselheiro’ do presidente santista, Marcelo Teixeira

Sanches Filho, O Estado de S. Paulo

22 de julho de 2008 | 18h21

Se há um assunto que o técnico Cuca procura evitar, e que pode até irritá-lo dependendo da pergunta, é sobre o sócio número 20 mil do Santos. O motivo é que não se trata de um associado qualquer, mas de Vanderlei Luxemburgo, o treinador do Palmeiras, que receberá o seu time na quinta-feira à noite, no Palestra Itália.Veja também: Santos empresta Rodrigo Tabata para o futebol turco Santos pede redução da pena de Rodrigo Souto até sexta Santos também convive com desfalques para o clássicoAdversário, mas ao mesmo tempo amigo e ‘conselheiro’ do presidente santista, Marcelo Teixeira, admirado por funcionários do clube e colaborador da maior torcida uniformizada, conforme admitiu publicamente. Mas, acima de tudo, um técnico estrategista e matreiro, que costuma começar a ganhar os jogos importantes com dias de antecedência, dando importância a detalhes aparentemente desprezíveis. Sete meses depois de ter encerrado a sua terceira passagem pelo Santos, deixando para trás um histórico de dois títulos do Campeonato Paulista, Luxemburgo ainda está "presente" não apenas na cidade - tem um restaurante do Centro Velho -, mas também no ex-clube. Na semana passada, ele fez três declarações que mexeram com a crise que não quer deixar a Vila Belmiro. E numa delas, fez referência ao técnico Cuca, que estava por um fio no cargo antes da vitória por 1 a 0 diante do Sport, domingo passado. Na sexta-feira, ao responder uma pergunta sobre a manifestação de Luxemburgo pela sua permanência à frente do futebol santista, Cuca deixou no ar um ponto de estranheza. "Não sou amigo de Vanderlei Luxemburgo e nem me lembro de quando foi que conversei com ele a última vez. Mas, se falou, eu agradeço." Com a proximidade do clássico entre Palmeiras e Santos, o assunto voltou a ser abordado na coletiva de imprensa do técnico, na manhã desta terça-feira, no CT Rei Pelé. A pergunta foi se ele pretendia cumprimentar o técnico palmeirense antes do jogo, em razão de ele ter pedido a sua permanência à frente do futebol santista. Cuca tentou se esquivar, dizendo que não ouviu as declarações de Luxemburgo. E não gostou do complemento da pergunta, sugerindo que uma das impressões que ficaram é de que Luxemburgo tinha preferência por enfrentar o Santos sob o seu comando. "Teria que perguntar para ele. Essa pergunta deixa 10 interrogações no ar e dá margem a 10 respostas. Vou usar a mais comedida para o momento. Ele, como profissional, é conhecedor de que no futebol se consegue mais resultado a médio prazo do que a curto", disse o técnico santista, encerrando o assunto. No dia seguinte à derrota por 3 a 0 contra o Figueirense, em Florianópolis, em coletiva à imprensa para explicar como convenceu Cuca a desistir de se demitir, Teixeira disse não se lembrar do pedido de Luxemburgo para que Cuca não fosse mandado embora, porém confirmou o telefonema. E esclareceu que não comentaram nem a outra declaração polêmica do treinador, referindo-se ao Santos como "time que está na zona de rebaixamento", numa comparação ao Palmeiras, após a derrota para o São Paulo. "Quando ele (Luxemburgo) me ligou, ainda não sabia de suas declarações. Falamos sobre outros assuntos relacionados ao futebol. Não acredito que um profissional com a inteligência que ele tem e que mantém bom relacionamento com o Santos pretendesse nos atingir. Mas não foi uma declaração feliz."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.