Cuca vai dirigir a sua 12ª equipe

Aos 40 anos, Alexi Stival, o Cuca, está de malas prontas para enfrentar o seu maior desafio - ganhar a Libertadores com o São Paulo. Nem mesmo o desejo de incluir seu irmão, Avlanir Stival, o Cukinha, como auxiliar-técnico, atrapalhou as negociações. Cuca vai dirigir a sua 12ª equipe desde que estreou como técnico na equipe do Uberlândia (MG), em 1998. Ele jogou no meio-campo de sete clubes, entre eles o do futuro vizinho de CT, o Palmeiras, e do Valadolid (Espanha). Já treinou a Inter (Limeira), o Remo e o Ciciúma antes de libertar o Goiás da lanterna do Campeonato Brasileiro: "Há três meses, quando cheguei, o Goiás era um fracasso", comenta. "Mas não foi o maior desafio da minha carreira e, muitos dos que crêem estar eu vivendo um sucesso repentino, desconhecem que já passei por muitas equipes e agora vou dar tudo de mim para o sucesso do São Paulo", disse o treinador, que se despede do Goiás na partida de sábado, em Ipatinga (MG), contra o Atlético Mineiro. "Depois do jogo eu volto para Goiânia, acerto as minhas contas e levo a minha família para São Paulo", disse o treinador, que começou o Campeonato treinando o Paraná Clube e substituiu Candinho no Goiás, na 11ª rodada. Cuca vai levar com ele a família: as duas filhas Natasha (14 anos) e Mayara (11 anos), a mulher Rejane, e a cadelinha Shaquira, mascote da família Cuca, que costuma freqüentar os treinos. Ele não abre mão de livros como "A Arte da Guerra", de Sun-Tsu, general chinês que defende o elemento surpresa para atacar e vencer os adversários. "Nem sempre as táticas dão certo", diz Cuca. "Às vezes dá errado e eu xingo ele, o livro e o general chinês", ri. As táticas também podem ser inspiradas por aves. Foi da janela de seu apartamento, com vista para o Zôo de Goiânia, que o novo treinador do São Paulo montou o time do Goiás atacando e se defendendo em bloco, aberto ou fechado como as asas do avestruz. "Sou mesmo um zoólogo de orelha", comenta. Em qualquer situação, porém, Cuca tem uma tática infalível - não gosta de escalar o mesmo time duas vezes. E, como os demais treinadores, tem os seus jogadores preferidos. No São Paulo, o artilheiro Luís Fabiano revela um estilo de jogar que agrada o novo treinador: "Ele é um excelente profissional e eu vou contar com ele no elenco", disse Cuca, mesmo quando lembrado sobre a tesoura voadora, na Libertadores: "O Luís Fabiano estava no clima do jogo, uma batalha campal", defende Cuca. "Errado é mas ele saiu em defesa dos companheiros". Curitibano, Cuca vai levar um novo hábito ao Morumbi: de tempos em tempos, vai deixar os afazeres diários para dar assistência às mulheres da família Stival. Comandadas pela matriarca Nilde, as esposas, sobrinhas, cunhadas e filhas se reúnem em torno de um campo, e de uma mesa repleta de massas e vinhos. "As mulheres da família Stival gostam de futebol", diz Cuca, cujo apelido foi dado por sua mãe inspirada na personagem do Sitio do Pica-Pau Amarelo. "Ele morria de medo da Cuca", diz sua filha Natasha.

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