Cuca vê falhas na marcação são-paulina

Apesar da goleada sobre o Deportivo Táchira, que classificou o São Paulo para as semifinais da Libertadores, o técnico Cuca não voltou da Venezuela totalmente satisfeito com a sua equipe. Na chegada da delegação, nesta quinta-feira, após uma viagem cansativa de sete horas, ele afirmou o time ainda precisa corrigir algumas falhas - especialmente de marcação.Cuca condenou o comportamento geral do sistema defensivo, especialmente no começo da partida de quarta-feira. "Deixamos o adversário alçar bolas demais sobre a nossa área e quase comprometemos o nosso planejamento. É um problema que precisamos corrigir", revelou o técnico.De outra parte, porém, o treinador ficou satisfeito como o time enfrentou as adversidades extra-campo, principalmente em relação à qualidade do hotel venezuelano. "Da próxima vez, quem sabe seja o caso de ficarmos num retiro longe da cidade", sugeriu.Cuca também disse, na presença do diretor de futebol Juvenal Juvêncio, que não gosta de levar o time com antecedência de dois dias em viagens desse tipo. "Prefiro chegar um dia antes, jogar e ir embora. Evita um monte de problemas. Mas nesse caso não tivemos alternativa, porque a viagem em si era muito desgastante", afirmou.Além de ficar mal acomodada, a delegação sofreu com a alguns torcedores do Deportivo Táchira na noite anteior da partida. Quatro bombas foram lançadas nas proximidades do hotel, interrompendo o sono dos jogadores. Mesmo assim, o time mostrou maturidade. "Eles (os jogadores) viram o que é a Libertadores e mostraram amadurecimento. Isso é bom", avaliou o técnico.Os jogadores - especialmente Rogério Ceni e Luís Fabiano - também desembarcaram com a sensação do dever cumprido. Luís Fabiano, que ainda não tinha marcado nenhum gol na Libertadores fora do Morumbi, fez dois e manteve-se como artilheiro da competição, com 8 gols. "Sabia que mais cedo ou mais tarde, conseguiria quebrar esse tabu", disse o atacante.Já Rogério Ceni, considerado o melhor do jogo, com três defesas incríveis, saiu de campo aplaudido até pela torcida adversária. ?É graticante ver o seu trabalho reconhecido pela torcida adversária, mas o que me deixa mais feliz é saber que o São Paulo deu um passo importante rumo à final da Libertadores", admitiu.Rogério Ceni levou o público ao delírio depois de trocar a camisa com o atacante Rondón. O goleiro são-paulino vestiu a camisa do Deportivo Táchira e ouviu os torcedores gritarem seu nome na saída de campo, enquanto dava entrevistas. Quando o ônibus deixou o estádio Pueblo Nuevo, a cena se repetiu. "Aprendi, aos 31 anos, que tenho de curtir ao máximo os bons momentos da minha profissão. Esse, sem dúvida, foi um deles", revelou.O goleiro disse ainda que a ótima fase não lhe deixa mais esperançoso em relação à seleção brasileira. "Nem mais esperançoso nem menos. Falar da seleção brasileira é uma coisa bem delicada, complicada de se tratar. Vai muito do treinador. Ele deve ter os seus preferidos. Não tenho nada contra o Parreira. Trabalhei com ele no São Paulo e sei que se trata de um grande treinador. Não vou me iludir. Só vou continuar trabalhando bem pelo São Paulo. Quem sabe em 2006 não se repete o que aconteceu em 2002: na última hora, fui lembrado e acabei indo para o Mundial", lembrou.No domingo, o São Paulo enfrenta o Corinthians, pelo Brasileiro. Desta vez, Cuca não pretende poupar nenhum de seus titulares, como aconteceu nos últimos dois jogos do campeonato nacional - contra Paraná e Cruzeiro. Só Luís Fabiano, convocado pela seleção, vai desfalcar a equipe.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.