Cunha: 'A CBF é um cartório que explora a marca da seleção'

Dirigente são-paulino critica papel da CBF e vê possibilidade de ligas independentes no futuro

11 de outubro de 2007 | 18h38

Sempre polêmico, o supervisor de futebol do São Paulo, Marco Aurélio Cunha, criticou, durante o debate da TV Estadão, realizado na quarta-feira, o papel das confederações e federações de futebol, especialmente a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que não daria apoio suficiente aos clubes nacionais.   Veja também: Trecho do debate da TV Estadão com a declaração   Para o supervisor de futebol do São Paulo, a CBF é apenas um "cartório": "Ela [CBF] não dá quase nada [aos clubes]. É um cartório de jogadores que explora a marca da seleção brasileira. Eu respeito muito a CBF, que faz um bom trabalho nas categorias de bases, mas imagine a seguinte situação: eu tenho um bom carro, que adoro e sempre uso, mas aí vem a CBF e diz que vai usá-lo no final de semana, mas ela o devolve sujo e sem gasolina. Diz muito obrigado e acabou. Só isso", afirmou Cunha, que também deu seu parecer sobre outras entidades futebolísticas.   "A Conmebol é o cartório da sul-americana e a Federação Paulista faz o seu papel de emprestar dinheiro para alguns clubes do interior. A Federação [Paulista de Futebol] tem muito trabalho com os clubes do interior e está fazendo o seu papel. Faz um Campeonato Paulista possível, eu diria."   A insatisfação de Marco Aurélio Cunha tem a ver com a taxação imposta aos clubes pelas federações, tendo como exemplo o São Paulo na Copa sul-americana. "Na hora que você joga uma competição organizada pela Conmebol, você é taxado por três associações [Conmebol, Confederação Brasileira de Futebol e Federação Paulista de Futebol]. Isto é algo absurdo."   Sem concordar com o atual papel das federações, o dirigente são-paulino acredita na realização de ligas independentes, como já aconteceu outrora, especificamente no ano de 1987, quando o Clube dos 13 criou a Copa União, que durou até 1988.   "Já estamos perdendo os campeonatos regionais, que serão quase amadores no futuro, e os clubes nacionais disputarão competições continentais. Sou defensor do campeonato regional para a criação de jogadores. Eu acredito que, em breve, teremos uma confederação, alguém que venha a inventar uma super liga e convidar certos clubes, abandonando o restante e o estilo de administração atual."

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