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Curso em São Paulo busca atingir treinadores que não estão na vitrine

Encontro com profissionais ingleses vai abordar futebol na teoria e na prática para técnicos de divisões menores do futebol brasileiro

Almir Leite, O Estado de S. Paulo

29 de outubro de 2013 | 11h45

SÃO PAULO – Aprender técnicas do futebol na prática é algo que soa estranho. Principalmente para os brasileiros, que têm grande e conhecida familiaridade com o esporte. Mas os bancos escolares também podem ser um bom caminho para aprendizado, aperfeiçoamento e troca de ideias e, portanto, desenvolvimento profissional. Tal recurso é comum na Europa e começa a ser olhado com atenção no Brasil.  No próximo mês de janeiro, por exemplo, um curso destinado a treinadores, auxiliares, preparadores físicos, entre outros, vai unir teoria e prática relacionadas ao futebol.

O curso terá a duração de três dias e ocorrerá no clube Paineiras do Morumby, em São Paulo. Os professores virão da Inglaterra, país criador do futebol moderno – que acaba de completar 150 anos. São integrantes da Southampton Solent University, universidade conhecida na Europa por seu trabalho acadêmico também quando o assunto é futebol. O programa do curso, entre 14 e 16 de janeiro, reunirá teoria e prática. Serão enfocados temas como tendências modernas do futebol, análises teóricas e trabalhos práticos sobre sistema táticos ao atacar e defender, como selecionar jogadores...

Tais itens parecem familiares aos profissionais brasileiros. Mas pode não ser bem assim. Principalmente quando se lembra que o futebol, no País, não vive apenas da elite, formada pelos grandes clubes da Primeira Divisão – e alguns que ocasionalmente trafegam pela Série B ou outra. "Nosso foco são os técnicos de quarta, terceira, segunda divisão. No Brasil tem 760 clubes de futebol, do Acre ao Rio Grande do Sul e nós percebemos que muita gente teve pouca oportunidade de se aperfeiçoar como treinador", diz Pedro Stern, diretor de projetos estratégicos da UniSport Brasil, empresa que trabalha com promover cursos, treinamentos e ações de comunicação na área esportiva e responsável pelo Encontro Internacional de Futebol que ocorrerá no Paineiras.

Pedro sorri e diz que, claro, gostaria de ter a presença, no curso, de treinadores consagrados como Tite, Muricy e Felipão, mas diz que ao definir o público-alvo levou em consideração levantamento que constatou que 65% dos técnicos de futebol no Brasil, de todas as divisões, não fizeram um curso profissional, por falta de oportunidade, e que 95% deles gostariam de fazer. "O futebol começou a se profissionalizar nos treinamentos, na tática, enfim na abordagem. Então, nossa proposta é ajudar esse profissional de terceira, quarta, para ele ter oportunidade de se aperfeiçoar, saber o que acontece em outros países, saber como se faz."

Para isso, além da parte teórica, o curso terá uma carga prática. "Vai ser um dia e meio teórico e um dia e meio prático, num campo de futebol com dois times, arbitragens, enfim tudo de um jogo. Eles vão trazer casos da Premier League, do futebol alemão, entre outros", diz André Stern, filho e sócio de Pedro. "Eles" são os palestrantes da Southampton, instituição que oferece até um curso de técnico de futebol com três anos de duração:  Mario Marian-Anton Marinica analisa times e jogadores, faz monitoramento dos adversários e desenvolve novos talentos; Clwyd Jones é analista técnico e já trabalhou em equipes da Europa, EUA e África do Sul; e Richard Elliott trabalha com métodos de pesquisa – colabora com a Premier League.

Pedro explica que não se trata de ensinar o Padre Nosso ao vigário, uma vez que o futebol está no sangue do brasileiro. "Não é ensinar o que é. É provocar nas pessoas qual tipo de raciocínio ele vai ter em cada situação. Provocar no profissional o raciocínio de situações que não são tão objetivas como um jogo de futebol, para que o técnico não trabalhe na mesmice", diz. "A abordagem acadêmica é uma coisa nova aqui no Brasil. Queremos investir nisso". Além da "bola", outra preocupação é com a administração do esporte. Por isso, na atividade de janeiro também será abordado o futebol como negócio, em tópicos como comercialização do futebol, legislação, administração, pois hoje em dia não se consegue mais fazer sucesso no futebol sem um bom planejamento.

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