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Torcida do Palmeiras tem direito de alegrar-se, com alguma reserva

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

09 Outubro 2016 | 03h00

O Palmeiras será campeão brasileiro em 2016? Não há como prever. Só se fosse adivinho, ou “bidu’’, para usar expressão do tempo em que torcedor esmeraldino era chamado de palmeirista e em que o mascote era o periquito e não o porco. Mas inegável que atravessa fase especial, que havia muito não ocorria na Série A. A última vez foi em 2009, mais ou menos até esta altura da competição, lá pela 27.ª, 28. ª rodadas. Depois... bem, depois melhor nem lembrar. A equipe dirigida por Muricy Ramalho desceu a ladeira e ficou fora até da Libertadores.

Supersticiosos preferem passar batidos pela euforia, sentimento normal que a liderança desperta. Antes, fingem que não está a ocorrer nada de extraordinário pelas bandas palestrinas. Não para negar a realidade, nem por pessimismo. Mas para afastar mau agouro, inveja, olho gordo, que tem muito por aí, à solta. Como a corrida pela taça continua equilibrada, com o Flamengo nos calcanhares e o Atlético-MG no tornozelo, uma dose de cautela, às vezes exagerada, é aceita por parte da massa. Há quem prefira aguardar algumas semanas antes de festejar.

Não há como negar o direito à cautela para parte dos fãs. Mesmo com três conquistas de Copa do Brasil em quase duas décadas, os 22 anos sem o principal título nacional incomodam. No mesmo período, Corinthians e São Paulo fartaram-se de levantar a taça. Dá para entender a razão de quem apela para o chavão do “pés no chão’’, “não ganhamos nada ainda’’. É da boca pra fora, porém faz sentido.

O nó continua apertado. Com 10 rodadas pela frente, ninguém da trinca desgarrou-se. Quer dizer, o Galo já jogou, no meio da semana, cumpriu o papel dele, ganhou, foi para 53 pontos e se aboleta na torcida para secar a dupla que entra em campo neste domingo. Se ambos venceram, os mineiros comem poeira; porém, não definitiva.

O Palmeiras depende apenas de si - eis o que importa para seu ansioso admirador. Está na frente, faz tempo, e não dá sinais de perda de fôlego. Cuca e rapazes desempenham com dignidade a trajetória que os credita ao título. Mesmo assim, rodada sim, rodada também, não faltam projeções que os apontam prestes a tropeçarem e a deixarem estrada aberta para o Fla ou Galo darem o bote. Mas o líder contraria...

A onda de poréns ao Palmeiras inclui observações do gênero “sequência fácil’’, “sofre para bater rival fraco’’, “Cuca tem repertório pobre’’, “defesa se expõe’’. Chegou-se ao requinte de projetar o Atlético campeão, desde que se repitam as pontuações das últimas dez rodadas do turno. Como se o futebol fosse estático e previsível. Relevam-se as 17 vitórias palmeirenses, o melhor ataque, o artilheiro.

O Palmeiras só não pode baixar a guarda, por exemplo, contra “rival frágil’’, como o América. Esses são os pontos irrecuperáveis e que causaram a desgraça de 2009. O que reforça a decisão de Cuca de não poupar ninguém disponível na etapa de arrancada. Não cabe a conversa de rodízio, sequer para a Copa do Brasil. Na teoria, pesa a favor do Palmeiras o fato ser visitante em Londrina, o que na prática o torna mandante, tamanho o número de simpatizantes que tem nessa região do Paraná.

Se saltar para 60 pontos, talvez o Palmeiras não abra dianteira sobre o Fla, por ora com 54 e mais do que favorito ao receber o Santa Cruz. No entanto, põe pressão maior no Galo, que vai enfrentar os dois em BH. E praticamente tira esperanças do Santos, com 51. Todavia, como diria o conselheiro Acácio, restarão 27 pontos em disputa – e é um bocado para mexer na tabela.

Esta conversa dominical toda para dizer o seguinte: a luta está aberta, o Palmeiras se firma com legitimidade e justiça como candidato fortíssimo e o torcedor pode abandonar um pouco esse receio de cantar vitória antes da hora. O momento é raro, especial, e vale fazer corrente positiva, para que seus ídolos não caiam na tentação do salto alto e para que murchem as tentativas de mau gordo. A inveja é poderosa...

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