Marlon Costa|Futura Press
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VÍTOR MARQUES, O ESTADO DE S.PAULO

07 Maio 2016 | 17h00

Setembro de 2010: o Santa Cruz perde para o Guarany do Ceará por 2 a 0 e é eliminado da Série D, a quarta divisão, fundo do poço do futebol profissional do País. As contas do clube estão no vermelho e as (poucas) receitas de bilheteria estão penhoradas.

Domingo passado: ao levantar o troféu de campeão da Copa do Nordeste contra o Campinense, o Santa consolidou uma história de superação que culminou com a volta à Serie A do Brasileirão após dez anos. E neste domingo, o Mais Querido, como é carinhosamente conhecido, pode ser campeão Pernambucano se empatar com o rival Sport.

Nesse processo de reconstrução, a importância da torcida foi crucial. A atual gestão do Santa Cruz promoveu uma verdadeira “arrumação” na casa. Em 2015, quando assumiu o comando do clube, o presidente Alírio Morais avisou logo que na sua administração a relação com a torcida coral seria horizontal, direta e prioritária. E assim tem sido.

Nos últimos meses todo o planejamento de comunicação e marketing tem focado na aproximação com a massa de torcedores. Planos especiais para novos associados – com diversos perfis econômicos; mudança de linguagem nas redes sociais e a escuta permanente de sugestões vindas da torcida.

O resultado pode ser visto na média de público, que sempre está entre as maiores do País. No campeonato estadual de 2016, que termina hoje, a média de público é de 21,5 mil. Na Copa do Nordeste, foi de 11,6 mil. “O apoio do torcedor, desde a campanha na Série D, foi fundamental”, afirmou o vice-presidente Constantino Júnior.

A virada dentro de campo começou em 2011. Quando disputava a Serie D pelo segundo ano consecutivo, o Santa Cruz venceu o tradicional rival Sport na final do Estadual. Conquistaria o tricampeonato estadual em 2012 e 2013, ao mesmo tempo que ascendia no Brasileiro, garantindo acesso à Série B.

O programa sócio torcedor cresceu e chegou a 13 mil associados, impulsionado pela volta à Série A e pelo retorno, após 13 anos, do atacante Grafite, campeão da Libertadores e do Mundial pelo São Paulo em 2005.

A chegada de Grafite foi possível por meio de parcerias e porque as receitas aumentaram. Em 2015, a arrecadação do clube foi de R$ 15 milhões, entre bilheteria, patrocínio e direitos de televisão. Em 2016, a previsão é de R$ 40 milhões, impulsionado pelo retorno à Série A.

A folha salarial também cresceu: passou de R$ 140 mil, quando o time disputava a Série D, para cerca de R$ 1 milhão. E deve aumentar com as chegadas de reforços para o Brasileirão.

“Vamos fazer um investimento maior, mas a realidade é dura. A divisão de cotas da Série A é injusta, a diferença entre os clubes é abissal. É como se alguns rivais tivessem uma metralhadora e nós um estilingue”, afirma Constantino Júnior.  (COLABOROU MONICA BERNARDES)

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‘Massa coral’, a força para lotar estádios

Eles são mais de dois milhões de apaixonados e formam uma das mais fanáticas torcidas do futebol brasileiro. São conhecidos como a “massa coral”, referência às listras vermelha, branca e preta de seu uniforme. Faça chuva ou faça sol, a massa lota os estádios para acompanhar o Santa Cruz Futebol Clube, ou simplesmente Santinha, o Campeão do Nordeste de 2016.</p>

MONICA BERNARDES, ESPECIAL PARA O ESTADO, O ESTADO DE S.PAULO

07 Maio 2016 | 17h00

Formada em sua maioria por integrantes das classes C, D e E a torcida, ao longo dos anos, caracterizou-se pela força de lotar estádios. Com músicas, bandeirões, tambores, cornetas e animação, apoia o time, mas também cobra quando está insatisfeita.

“Nossa torcida é nosso maior patrimônio. O Santa estando bem ou estando mal, a torcida não deixa o clube. Entender de forma lógica, matemática, não funciona. Porque estamos falando de amor verdadeiro”, diz o presidente Alírio Martins.

“Eu vou onde o Santa Cruz estiver. Se for final de semana, ótimo. Se for dia de semana, converso com o chefe, faço hora extra, mas não deixo de ver o Santinha jogar”, diz o técnico em informática Luis Dias, 23.

Filho, neto e bisneto de tricolores, ele viajou, no final de semana para Campina Grande, na Paraíba, para assistir ao título da Copa do Nordeste. O ônibus foi parado pela Polícia Rodoviária Federal por falta de documentos. Ele não teve dúvidas: “Quem quiser ficar, que fique, eu vou ver o Santa jogar.” E foi. Com outros torcedores, caminhou mais de oito quilômetros até chegar ao local da partida. 

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Dirigente garante que Grafite fica no clube até 2017

Quando<a href="http://topicos.estadao.com.br/grafite"> Grafite </a>deixou o futebol do Catar retornou ao clube após 13 anos, o ex-atacante do São Paulo garantiu: “Quero realizar um sonho, que é conquistar um título pelo Santa.” A promessa foi cumprida no último domingo quando o time garantiu a Copa do Nordeste. Aos 37 anos, Grafite se sente em casa no Recife e conta com apoio e carinho da torcida do Santa, a quem dedicou o título semana passada.</p>

VÍTOR MARQUES, O ESTADO DE S.PAULO

07 Maio 2016 | 17h00

Esta é a terceira passagem do atacante pelo time pernambucano, a primeira foi em 2001. Quando o clube anunciou seu retorno, em junho do ano passado, a torcida fez festa e Grafite foi recepcionado de helicóptero.

O contrato dele com time termina em julho. Houve sondagens de outros clubes da Série A, mas o vice-presidente Constantino Júnior garante que Grafite continua e vai disputar o Brasileirão pela equipe pernambucana.

“Nossa ideia é que ele fique no clube até o fim de 2017. Ele se cuida bastante, está inteiro para continuar jogando”, afirmou o dirigente ao Estado. “Vamos investir mais, trazer reforços, mas sempre com o pés no chão, com base na nossa realidade."

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VITOR MARQUES, O ESTADO DE S.PAULO

07 Maio 2016 | 17h00

O que o título da Copa do Nordeste representou para você?

Há anos eu já desejava ganhar um título com a camisa tricolor e, consequentemente, o título nos torna mais fortes na disputa pelo Pernambucano. Não será fácil, mas temos grandes chances.

Como tem sido sua relação com o torcedor do Santa Cruz? 

É a melhor possível. Sei do carinho que eles têm por mim e eles sabem do meu por eles. E me apoiaram mesmo

quando não estive bem, sabem que sou torcedor e que estou aqui porque gosto.

O Santa está de volta à Serie A. Você quer disputar o Brasileirão?

A Séria A é muito difícil e temos de provar que não subimos por sorte. Isso nos motiva a acreditar que podemos permanecer na Série A. E eu quero, sim, disputar o Brasileirão.

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