Rubens Chiri / saopaulofc.net
Rubens Chiri / saopaulofc.net

Daniel Alves disse que voltou ao Brasil para 'ser exemplo' no futebol

Lateral-direito do São Paulo concedeu entrevista à GQ e comentou os motivos de ter retornando ao futebol nacional

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de outubro de 2019 | 09h07

Daniel Alves deixou a modéstia de lado ao comentar sobre seu retorno ao futebol brasileiro. O lateral-direito de 36 anos, contratado em agosto pelo São Paulo, disse que ainda tinha clubes europeus interessados no seu futebol, mas preferiu regrassar ao País depois de 17 anos para servir de exemplo aos demais atletas.

"O Brasil precisa urgentemente de grandes exemplos em vários setores da sociedade. Somos um país muito egoísta, pensamos assim: 'se o meu estiver bom, o do outro não importa'. Assim não se cria uma nação sólida nem sensibilidade entre as pessoas. Gostaria de ser uma dessas referências, esse é meu desafio", contou em entrevista à revista GQ Brasil, da Editora Globo, especializada em estilo de vida de homens, sobretudo.

Apesar de estar somente há dois meses no São Paulo, o jogador já se envolveu em algumas polêmicas no novo clube. Na semana passada, Vagner Mancini pediu demissão do Morumnbi por reclamar da influência de Daniel Alves nas decisões da equipe. Referia-se à escolha do novo treinador após a demissão de Cuca.

Mancini era coordenador técnico e teria sido chamado para assumir a vaga do técnico interinamente até o fim da temporada. De acordo com áudio vazado com a voz de Mancini, Daniel Alves teria pedido a contratação de Fernando Diniz em consultá-lo. Por isso, o coordenador técnico pediu demissão. À GQ, o lateral-direito reclamou de ser incompreendido.

"Sempre pegam as coisas ruins de qualquer frase que falo, mas não a mensagem completa", defende-se. Após o empate do São Paulo com o Flamengo, ele tentou explicar o que aconteceu nos bastidores do clube. Daniel já apontou a imprensa de não entender nada de futebol porque os jornalistas nunca jogaram futebol.

"Aqui a gente preza sempre pelo bem do São Paulo. Se eu tiver de ficar com alguma coisa do Mancini, fico com o grande cara que conheci. Às vezes, quando você está em um momento de decepção, 'caliente', você tem de respirar antes de fazer declarações, que não vem ao caso. Penso que está fora de lugar tudo isso. Se tivesse esse poder, queria ter em casa, mas nem em casa tenho esse poder, imagina no São Paulo. A gente preza pelo bem do São Paulo, pelo crescimento do clube. Não pensamos nunca no individual, no bem para nós. É isso o que vamos prezar, independentemente do que estejam falando."

Aposentadoria não está em seus planos pelo menos antes do próximo Mundial de futebol. "Quero ir para a Copa de 2022, no Catar", afirmou Daniel à revista. "Depois penso em parar, sobretudo se o resultado for bom. Meu sonho não é conquistar cinquenta títulos (tem 40 atualmente), não vai caber nenhum troféu no meu caixão. Quero levar comigo sensações, momentos vividos", brincou. 

Quando pendurar as chuteiras, Daniel Alves pretende palestrar para jovens e adolescentes sobre "conscientização humanitária" e ser stylist. Até mesmo se arriscar na indústria da música. "Brinco que, na verdade, sou músico e meu hobby é futebol. Quem sabe eu não lanço um álbum?"

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