Rafael Ribeiro|CBF
Rafael Ribeiro|CBF

Daniel Alves e Alisson ganham espaço para a Copa América

Luiz Gustavo, Fernandinho e Filipe Luís podem perder o lugar

Daniel Batista - Enviado Especial - Assunção, O Estado de S.Paulo

31 de março de 2016 | 07h00

Dunga não terá mais qualquer teste antes de convocar a seleção brasileira para a Copa America. Por isso, os jogos contra Uruguai e Paraguai pelas Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa de 2018 serviram como a última oportunidade para o treinador passar algum tempo com seus jogadores. Essas duas partidas e o período de treinamentos na Granja Comary, em Teresópolis, e Viamão, no Rio Grande do Sul, fizeram com que ele firmasse convicções. Alguns jogadores ganharam pontos, outros perderam.

O jovem goleiro Alisson, de 23 anos, saiu dos dois confrontos com crédito ainda maior com Dunga. O técnico valoriza não só o que o jogador faz dentro do campo, mas também como se comporta fora dele. Embora tenha levado um gol defensável diante do Uruguai, o jogador do Internacional fez defesas importantes nos dois jogos e mostrou personalidade.

Se o jovem Alisson foi bem, a grande estrela da seleção esteve no extremo oposto. Neymar teve atuação apagada no empate com o Uruguai, no Recife, foi suspenso por cartão amarelo e, mais uma vez, desfalcou a seleção em momento decisivo. Claro que Dunga nem pensa em abrir mão do craque. Mas o atacante ficou no mínimo com a imagem arranhada.

Enquanto isso, o lateral-direito Daniel Alves ganhou ainda mais espaço, graças ao seu comportamento. Experiente, é respeitado no grupo e figura certa na Copa América. O gol marcado contra o Paraguai, no último minuto, só reforçou a ideia de Dunga de contar com atletas mais preparados para momentos de adversidades. As falhas de posicionamento em Assunção foram atenuadas.

Willian e Douglas Costa dificilmente chamam a atenção individualmente, mas são fundamentais para o esquema do treinador e também estão em alta. São, inclusive, nomes especulados na lista de possíveis convocados acima de 23 anos para a disputa dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, principalmente o jogador do Chelsea.

Ricardo Oliveira, apesar dos 35 anos, ainda é um dos melhores centroavantes do País. Dificilmente irá à Copa de 2018, mas, para um momento em que o mais importante para o time brasileiro é vencer, sua presença também é importante.

O caso mais curioso é de Renato Augusto. O meia chegou sob muita desconfiança por ter ido para o futebol chinês, mas surpreendeu positivamente. Além de ter marcado um bonito gol contra o Uruguai, apareceu bem e mostrou frieza mesmo nos momentos de maiores dificuldades nos dois jogos. No seu caso, a dúvida está se ele vai conseguir manter o padrão atuando no outro lado do mundo. Alguns jogadores não conseguiram render o esperado e vão merecer atenção maior de Dunga. Na lateral-esquerda, Filipe Luís fez com que Marcelo volte a ter boas chances de ser lembrado novamente.

Volantes e zagueiros parecem ser a pedra no sapato de Dunga. Luiz Gustavo e, principalmente, Fernandinho, estiveram muito abaixo do esperado. O jogador do Manchester City teve dificuldades para atuar como segundo homem no meio de campo. Contra o Paraguai, cometeu tantos erros que foi sacado já no intervalo. Luiz Gustavo parecia disperso em determinados momentos e a falta de qualidade técnica para sair jogando atrapalhou.

Na zaga, David Luiz teve uma atuação desastrosa contra o Uruguai e ainda foi suspenso para o confronto com os paraguaios. Miranda e Gil, bons tecnicamente, tiveram graves problemas de posicionamento e, embora o zagueiro da Internazionale tenha dito que não teria problema em jogar no lado esquerdo, claramente sentiu dificuldades diante do Paraguai. Lucas Lima, Hulk, Phillipe Coutinho e Jonas tiveram pouco tempo para mostrar serviço e por isso mantiveram a média. Assim como Diego Alves, Marcelo Grohe, Marquinhos, Danilo, Alex Sandro e Oscar, que não jogaram.

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