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Daniel Alves precisa de um clube para jogar e assim atender às convocações de Tite até a Copa

Há um 'combinado não assinado' entre as partes: o treinador precisa da experiência do lateral no Catar daqui a um ano, mas precisa estar em atividade

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2021 | 11h51

Daniel Alves procura um clube para jogar até a Copa do Mundo do Catar, daqui a um ano. Há um combinado não assinado com o técnico da seleção brasileira de levar o jogador para o Mundial de 2022. Daniel Alves nem seria titular, mas sua presença pode ajudar a resolver problemas já ocorridos na Copa da Rússia, quando o time precisou encontrar caminhos para ganhar partidas e principalmente solucionar contratempos internos. A experiência do jogador é respeitada por todos, até mesmo por Neymar, o dono do time. Quando Messi deu sua primeira entrevista no PSG, ele citou a carreira do lateral brasileiro como exemplo a ser seguido. Os jogadores da seleção e o próprio Tite ouviram as declarações. Ela colocou Daniel num patamar útil para o Brasil no Catar. Pelo menos na cabeça de Tite.

A seleção precisa de atletas experientes para comandar o elenco, dar exemplo, ajudar o treinador no vestiário. Daniel sobra nesse quesito. Na Copa de 1994, quando o Brasil se sagrou tetracampeão, o capitão Dunga colou em Romário para deixá-lo nos trilhos e impedir que ele se 'desconcentrasse' durante as sete partidas do torneio. Dunga jogou muita bola naquela competição e foi importante nos bastidores. Daniel Alves pode ser esse cara no Catar. Tite quer se valer de mais experiência no grupo. Contorna assim brechas detectadas na Rússia e que não podem se repetir em 2022. O treinador tem muita convicção de que pode ganhar a Copa se não tiver problemas internos. Bola por bola, ele acha que o Brasil se sairá bem desta vez. Daniel entraria nesse contexto.

Ocorre que ele precisa estar jogando para ser convocado. O rompimento do jogador com o São Paulo estraga a intenção de Tite. E do próprio atleta. Daniel não esperava que o clube do Morumbi fosse tomar a decisão que tomou, de romper o contrato de mais dois anos. O jogador vinha sendo pressionado pelos seus advogados a tomar uma atitude mais dura, uma vez que o prometido de pagar parte das pendências atrasadas, de R$ 12 milhões, não foram cumpridas. Era para quitar em junho e julho. Mas é fato que o jogador não esperava pela rescisão. Isso atrapalha seu projeto de jogar a Copa.

Também não esperava pela reação do São Paulo, mas foi alertado que não deveria jogar a sétima partida no Brasileirão antes de nova bateria de conversas. Se jogasse contra o Fluminense no fim de semana, não poderia mais ser contratado por outro time da primeira divisão, conforme reza as regras da competição. Agora, ele tenta se recolocar em algum clube da Série A.

É inegável que há desgaste em sua imagem pelo jeito que saiu do São Paulo, avisando que não iria treinar. Não caracteriza abandono, mas passa perto disso. Dirigentes podem olhar para Daniel como um atleta-problema, e ninguém quer um desse no elenco. Também houve muita discussão sobre o modo que se impôs no clube para jogar os Jogos Olímpicos de Tóquio, simplesmente avisando que iria. 

De bom jogador e de uma festa barulhenta em sua chegada, a torcida do São Paulo agora torce o nariz pelo lateral. Não houve nenhuma manifestação da torcida para que fique. A verdade é que ele nunca foi uma opção capaz de resolver os problemas do time. A diretoria anterior colocou os pés pelas mãos porque tinha de deixar um 'legado' antes de sair, uma vez que não houve conquista no período. Aceitou pagar R$ 1,2 milhão por mês sem ter dinheiro, acreditando em parcerias não feitas.

A nova gestão manteve a situação com a mesma intenção, o que se provou um grande equívoco. Resultado: o São Paulo não tem mais o jogador e deve R$ 12 milhões para ele. E Daniel Alves não contribuiu em campo como se esperava. Foi um camisa 10 sem peso e um lateral comum. Nenhum lado saiu feliz dessa história. Todos perderam.

Para continuar nos planos de Tite, ele precisa jogar ainda em setembro. Para tanto, aceita qualquer coisa. Não é dinheiro que vai impedi-lo de trabalhar. Não duvido que ache um clube em breve. Dos grandes, com potencial de conquistas, nenhum deles se manifestou. Foi falado muito de Daniel no Flamengo, mas ninguém confirma esse interesse no momento. Nem no Palmeiras nem no Atlético-MG nem no Corinthians. Daniel Alves pode levar seu futebol para a Série B, num desses grandes rebaixados. Há uma pequena possibilidade de ir para o futebol argentino, mas esse assunto ainda precisa de lenha para esquentar. Não está ainda descartada uma contratação a pedido de Fernando Diniz no Vasco, mas para isso ele terá de abrir mão de seu salário. Tem até 24 de setembro para decidir seu futuro no Brasil.

Tite faz em breve nova convocação para os jogos da seleção pelas Eliminatórias. Se não tiver jogando, é mais difícil que Tite o chame. Treinos isolados ou de academia não levarão o jogador para a Copa. O São Paulo leva a rescisão para seus advogados. Tenta costurar um caminho para pagar sua dívida com o lateral em parcelas. Daniel não vai abrir mão de seus direitos, tampouco oferecerá facilidades ao clube que o demitiu semana passada. O caso pode parar na Justiça.   

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