Chico Santana
Chico Santana

Para encontrar novo camisa 1, Danrlei cobra simplicidade e suor nos treinos do goleiro do Grêmio

Ex-jogador foi lançado por Felipão aos 20 anos na posição e se tornou um dos maiores ídolos da história do clube gaúcho; Renato Gaúcho tenta repetir a história

Toni Assis, especial para o Estadão, O Estado de S.Paulo

18 de março de 2021 | 10h00

O ano era 1993 e o Grêmio tinha pela frente o Fluminense pelo Campeonato Brasileiro. Com  dois goleiros machucados, o treinador Luiz Felipe Scolari teve de recorrer às categorias de base para escalar o time. A partir dessa oportunidade, o então jovem Danrlei assumiu a posição e seguiu titular do gol por dez temporadas. Passados 18 anos, o time gaúcho volta a viver esse impasse, mas agora, de um jeito diferente. Com Paulo Victor e Vanderlei em má fase, o técnico Renato Gaúcho resolveu apostar no goleiro Brenno, dos juniores, para o posto de titular.

Com a bagagem de quase 600 jogos nas costas, Danrlei conversou com a reportagem do Estadão e destacou dois pontos primordiais para quem vai ter a missão de defender a meta gremista. “Primeiro fazer o simples. Nada de querer inventar ou sair de suas características. O outro ponto é treinar muito, mas muito mesmo, pois só o treinamento vai te dar segurança na hora do jogo”.

O ex-goleiro relembrou os primeiros passos e falou do atual momento do seu clube de coração. “Como fui bem, a diretoria foi me mantendo. Mas se não tivesse dado uma resposta, o clube teria ido atrás de outros nomes. Lembro que na época o Murilo, também da base, virou meu reserva e puxaram um garoto do juvenil para terceiro goleiro. Pelo que sei do noticiário atual , o Paulo Victor parece que foi liberado e Vanderlei tem oferta para sair. Se a coisa está assim, é porque deixaram a desejar né ”, disse.

Num ano em que o Grêmio ganhou só o Gauchão, Danrlei disse que a falta de títulos expressivos pesou na avaliação dos goleiros. “Não dá para colocar a culpa no Paulo Vítor e no Vanderlei. Eu acho que os dois goleiros se equivalem. De repente, eles não tiveram atuações acima da média em jogos decisivos. Mas ninguém no time teve também. É uma coisa coletiva.”

Para explicar o seu ponto de vista, Danrlei recorreu ao Palmeiras e também ao desempenho do  Weverton. “O Palmeiras teve um ano muito bom (ganhou Libertadores, Copa do Brasil e Paulista), mas o goleiro deles fechou o gol em muitos jogos importantes. Principalmente na Libertadores. As atuações acima da média fazem a diferença”, comentou.

Um dos protagonistas da vitoriosa fase do Grêmio nos anos 90, Danrlei colecionou conquistas no atacado: seis estaduais, três Copas do Brasil, um Brasileiro, uma Recopa e Libertadores. “Se você contar todas as taças, eu sou o jogador mais vencedor do clube com 19 títulos”, fala com orgulho o ex-atleta que trocou luvas e chuteiras por terno e gravata. Deputado federal pelo Partido Social Democrático (PSD), ele está em seu terceiro mandato. Sua rotina é corrida e durante a semana, o parlamentar se divide com viagens entre Brasília e Porto Alegre. “São três, quatro dias em Brasília e os outros vou para o Sul. Quando os estádios estavam abertos, sempre que podia, eu ia ver o Grêmio na Arena.”

TEMPERAMENTO FORTE

Protagonistas em épocas diferentes no clube, Danrlei e Renato fizeram parte do mesmo grupo em 95 no Grêmio. Mas por causa da convocação do ex-goleiro para a Copa América no Uruguai, o encontro acabou não acontecendo. “Eu estava com a seleção brasileira e quando retornei ele tinha ido embora. Já conversamos algumas vezes. Não temos uma convivência próxima, até porque o Renato está na correria da profissão de treinador, mas admiro muito o seu trabalho”, falou.

Em comum, além da idolatria junto à torcida, os dois tiveram um histórico de polêmicas e confusões dentro de campo. “Sempre vivi muito o momento do jogo”, disse Danrlei. Uma das mais famosas dessas brigas foi a pancadaria generalizada em Porto Alegre na partida em que o Grêmio goleou o Palmeiras por 5 x 0 no jogo de ida das quartas-de-final da Libertadores.  O ex-volante Dinho e o meia Válber saíram no tapa e o goleiro também se envolveu no tumulto. Apesar de não ter sido expulso, ele acabou punido pela Conmebol (suspensão de uma partida) e ficou de fora do confronto de volta, em São Paulo. O Palmeiras quase devolveu o resultado (venceu os gaúchos por 5 x 1) mas acabou eliminado do principal torneio do continente. 

HOMEM GRENAL

Os confrontos contra o Internacional foram um capítulo à parte na trajetória de Danrlei que ganhou o apelido de Homem Grenal. “Não sei quantos Grenais disputei e acho até que tem um equilíbrio entre vitórias e derrotas. Mas eu sempre fui muito bem nos jogos importantes. Por exemplo, se era um jogo de turno de estadual, ou de Brasileiro, podia perder. Mas se era uma final, uma classificação importante, eu me transformava. Eu me preparava muito. Sempre fui sanguíneo. Era o jogo que parava a cidade né”, falou.

Ao ser perguntado sobre o Grenal mais marcante da sua carreira, Danrlei não titubeou. “Foi o último que disputei em 2003. A manchete do jornal foi a seguinte: Danrlei 0 x 0 Internacional. Naquele clássico eu fechei o gol. Deu tudo certo”.

Nascido na mesma cidade em que Taffarel foi criado, Danrlei conta que o ex-goleiro do Inter foi uma inspiração a também tentar a carreira no gol. “Taffarel é de Santa Rosa, mas foi para Crissiumal pequeno e cresceu lá até se mudar para jogar em Porto Alegre. E tem meu tio Beto, que foi reserva do Mazaropi no Gremio, que também nasceu lá. Crissiumal é terra de goleiros”, disse Danrlei.

PANDEMIA: CONTRA O LOCKDOWN

O momento trágico que assola o Brasil por conta da pandemia do novo coronavirus também entrou na pauta. “Vejo essa fase com muita tristeza. É um jogando a culpa para o outro. Não tenho radicalismo para nenhum lado, mas agora a prioridade é se concentrar em soluções.”

Ele disse ser contra o lockdown em defesa dos pequenos comerciantes.  Em sua página no Facebook, ele fez uma postagem no dia 11 de março destacando a necessidade de reavaliar os protocolos de distanciamento social estabelecidos pelo governo do Rio Grande do Sul bem como ser favorável à atividade econômica empresarial desde que as normas de segurança sejam cumpridas.  

“Acho que se tiver organização, o pequeno comerciante pode funcionar. Entra uma pessoa por vez, usa máscara e álcool em gel. Eles precisam da renda. Daí você vai nos shopings, por exemplo, e as pessoas se aglomeram. Os grandes mercados estão abarrotados.  Hoje temos vacinas e precisamos nos cuidar. O pior são as redes sociais. As pessoas querem exprimir a opinião e não aceitam um pensamento diferente”.

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