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Dante retoma a confiança e lidera o surpreendente Nice na França

Zagueiro deixa a Copa no passado e se torna ídolo do time, que já está garantido na próxima Liga dos Campeões

Almir Leite, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2017 | 17h00

Na luta pelo título francês, que disputa com o Mônaco, o Paris Saint-Germain tem jogo decisivo neste domingo, às 16h. Visita o surpreendente Nice, que faz sua melhor campanha nos últimos 41 anos. Está em terceiro lugar, já garantiu vaga na fase classificatória da próxima Liga dos Campeões e é o time que menos perdeu até agora. Apenas duas vezes. O jogador apontado como maior responsável pela eficiência defensiva do Nice é um dos brasileiros que ficaram marcados pelo tombo da seleção brasileira na Copa de 2014: Dante.

Hoje com 33 anos, o zagueiro baiano que entrou na fogueira naqueles 7 a 1 aplicados pela Alemanha – substituiu o suspenso Thiago Silva – e acabou queimado, é ídolo e respeitado em Nice. Torcedores e críticos o consideram um dos melhores do Campeonato Francês. Para o técnico suíço Lucien Favre, Dante é o pilar da defesa que sofreu apenas 28 gols em 34 partidas – apenas o PSG, com 23, foi menos vazado até agora.

Favre, aliás, foi quem convenceu Dante, que estava na Alemanha havia oito anos e desfrutava de situação confortável no Wolfsburg, a transferir-se para o Nice, no início desta temporada. “Trabalhamos juntos na Alemanha (no Borussia Moenchengladbach, entre 2011 e 2012). Como gosto de desafios e era algo novo na minha carreira, aceitei a oportunidade”, disse Dante ao Estado.

A adaptação à França foi fácil, até porque foi por lá que ele entrou no futebol europeu - entre 2004 e 2007 jogou no Lille e no Charleroi. O fato de chegar à Riviera Francesa semanas depois do atentado terrorista de 14 de julho, dia em que se comemora a Queda da Bastilha, quando 84 pessoas foram atropeladas por um caminhão mortas, não o abalou. “É claro que sempre preocupa um pouco. Mas isso foi mais no início e a gente não pode deixar de viver.”

O time do Nice, por outro lado, era uma incógnita. Apesar do investimento de um grupo chinês, que permitiu contratações como a do italiano Balotelli, o orçamento é apenas o 10.º maior da primeira divisão francesa (20 clubes) e está bem abaixo dos gigantes PSG e Mônaco. Por conta disso, não se sabia até onde a equipe rubro-negra poderia ir, mas em pouco tempo Dante percebeu que seria possível pensar grande.

ALTO-ASTRAL

Respeitado em Nice e na França, Dante diz estar de bem com a vida. Já pensa na próxima Liga. “Vai ser algo especial, porque o Nice não tem as mesmas perspectivas de PSG e Mônaco.’’

A frustração e as críticas recebidas em 2014 foram superadas. O zagueiro garante não carregar culpa nem mágoas. “As pessoas sempre procuram bodes expiatórios para proteger outros. Pegaram os mais desprotegidos, mas é algo que acontece no futebol’’, diz, sem se alongar em relação a protetores e protegidos.

Dante jamais voltou à seleção e tem consciência de que sua época já passou. “Quando se vê a seleção atual, com muitos jogadores jovens, é preciso compreender que isso (a renovação) faz parte do futuro. Estou com 33 anos. É o importante é que estou feliz na vida e na carreira.’’

A quatro rodadas do fim do Francês, o Nice tem 74 pontos e a chance de voltar a ser campeão depois de 58 anos são remotas. A briga ficará restrita a PSG (80 pontos) e Mônaco, que ontem venceu o Toulouse por 3 a 1 e foi aos 83 com uma partida a menos.

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