David Beckham e uma grande estratégia de marketing do PSG

Romain Regnard, diretor do gabinete de Conselho Esportivo Sixieme Homme, de Paris, comenta o sucesso da estratégia do time francês em atrair as atenções mundiais

ANDREI NETTO / CORRESPONDENTE, O Estado de S. Paulo

23 de fevereiro de 2013 | 15h54

Quando da contratação do astro inglês David Beckham pelo PSG, no mês passado, o mundo da bola na Europa vibrou pelo retorno do craque. Mas os mais entusiasmados eram os conselheiros de marketing esportivos, fascinados pelo retorno midiático obtido pelo clube. Na entrevista abaixo, Romain Regnard, diretor do gabinete de Conselho Esportivo Sixieme Homme, de Paris, comenta o sucesso da estratégia do time francês em atrair as atenções mundiais.

Beckham estreia neste domingo em Paris pelo PSG. Mas ele é mais importante dentro ou fora de campo?

Fora. Beckham é uma grande estratégia de marketing. Sabemos que o PSG quer fazer de sua equipe o mais competitiva possível. Beckham não se enquadra nesse projeto. Mas, ainda assim, um jogador como ele interessaria a qualquer equipe da Liga Francesa, e eu diria à maior parte dos clubes do mundo, porque se trata de um fenômeno de marketing.

A estratégia de marketing do PSG não para no ídolo, é claro.

Não, claro que não. O PSG lançou nessa semana seu novo logo, mais globalizado, enfatizando a cidade de Paris e a Torre Eiffel, dois ícones mundiais. Seria difícil fazer mais do que o clube já está fazendo, além é claro de contratar Cristiano Ronaldo ou Lionel Messi.

Então para alcançar essa projeção é necessário ter grandes ídolos no time?

Sim, sem dúvida. Certamente o PSG vai insistir nessa estratégia. Beckham não vai durar como jogador do PSG, porque seu contrato tem seis meses de duração. Mas podemos imaginar que o PSG vai continuar a insistir na contratação de grandes jogadores, ainda mais porque seu orçamento na prática é ilimitado. Essa estratégia funciona. É assim que o clube se torna internacional hoje.

Como esse retorno de mídia gerado pelo craque se manifesta?

Você deve ter observado que as coletivas de imprensa de apresentação desses jogadores, e no caso de Beckham em especial, reúnem 10 vezes mais jornalistas do que os que cobrem os jogos e treinos habitualmente. Isso quer dizer alguma coisa.

É esse o conselho que você daria aos grandes clubes do Brasil?

É preciso investir em marcas mais fortes, e os grandes jogadores são um passo para isso. O Brasil é um caso particular, porque é uma máquina esportiva. É possível explorar muito os novos jogadores, as novas pepitas, como Neymar, e ainda explorar jogadores que retornam ao país para encerrar suas carreiras. Os Estados Unidos, a Rússia e mesmo a China estão investindo nessa estratégia. Drogba e Anelka são a prova de que vale a pena.

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