Neil Hall/ EFE
Neil Hall/ EFE

David Silva agora é mais valioso do que nunca no Manchester City

Espanhol é o motor no meio de campo da equipe e ganha elogios de técnicos como Pep Guardiola

Rory Smith / THE NEW TORK TIMES, O Estado de S.Paulo

08 de janeiro de 2019 | 04h35

Há poucas semanas, antes de a temporada serena do Manchester City atingir uma inesperada turbulência, David Silva encontrou-se por acaso com os pais de Phil Foden, revelação do meio-campo do clube, depois de mais uma vitória na Premier League.

Silva é, tanto em privado como em público, uma pessoa quieta. Não corteja os holofotes – ele consente em apenas uma oportunidade de entrevista por ano, um breve bate-papo para promover o turismo nas Ilhas Canárias, onde ele cresceu, no qual faz o possível para nada dizer – nem desfruta do fato de ser o centro das atenções.

Mas com a mãe de Foden, Claire, ele foi efusivo. Disse a ela que era um prazer treinar ao lado de seu filho adolescente e mostrou-se entusiasmado com a perspectiva de como ele acreditava que Foden poderia se tornar um bom jogador.

Menos de um ano depois de Foden ter feito sua estreia pelo City, Silva disse já estar convencido de que o jovem de 18 anos tinha o potencial para se tornar um dos melhores jogadores do mundo. Sua única esperança, ele disse a ela, era que ela pedisse ao filho que “esperasse um par de anos” antes de desabrochar. “Só para me dar uma chance”, disse ele.

Há uma qualidade cronológica para Silva. Ele faz 33 anos no sábado, mas ainda parece o jogador que foi quando chegou em Manchester quase nove anos atrás. Ele não é menos perspicaz, nem menos animado, ou menos fluente: “sempre em movimento”, como seu ex-companheiro Javi Martinez disse uma vez. Ele ainda usa seu brilhantismo com discrição. Ele ainda não vê necessidade de se entregar a ornamentos ou ostentação. É um gênio para coisas simples, feitas com perfeição.

Para seu treinador, Pep Guardiola, é uma “alegria” trabalhar com Silva; para seus companheiros de equipe, como disse Kyle Walker, ele é um “exemplo”. Ele tem sido uma figura central no City, mas é ainda mais integral agora, encarregado de unir todos os complexos padrões de passes que Guardiola tem incutido em seus jogadores.

Não é surpresa que tenha sido na sua ausência – assim como na de Fernandinho, outro antigo jogador do City – devido a uma lesão na perna que o time perdeu para o Crystal Palace e o Leicester, oferecendo uma oportunidade ao Liverpool no topo do Campeonato Inglês.

Mesmo ao City, com todos os seus recursos, falta algo na ausência de Silva. “Ele é um dos jogadores mais incríveis do mundo jogando recuado”, afirmou Guardiola sobre seu craque no começo da temporada. “Ele é talvez o mais forte do mundo nesses espaços. Nós tentamos atacar esses espaços: ele é um mestre nisso. Poucos jogadores podem fazer isso.”

Roberto Mancini, um dos antecessores de Guardiola no City e o técnico que levou Silva à Inglaterra do Valência em 2010, sempre considerou seu armador semelhante a Xavi e Iniesta. “Se ele tivesse ido para o Barcelona” em 2008, disse Mancini, “todos estariam dizendo que ele é um dos melhores jogadores do mundo”.

É importante dizer que Silva não só está entre os melhores jogadores de sua geração na Inglaterra, mas entre os maiores da história nas importações para o futebol inglês.

Silva – não exclusivamente, mas mais do que a maioria – mudou a forma como a Premier League se vê; ele desempenhou um papel em acabar com a tirania do poderoso time. Ele não apenas ajudou a definir e refinar o estilo de jogo que agora define o City, como provou que pequenos jogadores técnicos podem prosperar na Inglaterra.

“Você pode ver sua qualidade pelo tempo que ele sobreviveu na Premier League”, disse Guardiola. “Se você sobrevive, é porque é um jogador melhor. Quando ele se move, é esperto, mais inteligente. Quando você vê coisas como ele, é porque você é mais inteligente que os outros.”

Que ele seja tão facilmente esquecido acontece em parte por causa da pessoa que Silva é: tímido, privado, sem grandes declarações públicas de seu gênio.

Mas também é por causa do jogador que ele é. Silva não pretende ser um grande solista; ele não joga para a plateia ou para seu destaque pessoal. Ele não é especialmente rápido ou assustadoramente forte ou implacavelmente produtivo.

Ele é, ao contrário, a personificação daquela velha máxima de Guardiola: ele pega a bola; ele passa a bola. Quanto melhor ele joga, mais os outros brilham. Tem sido fácil perdê-lo de vista, um jogador que não procura mais do que ser parte do coletivo, mas sempre esteve no centro disso.

É difícil dizer, mas ele está descendo lentamente do pico que ocupou por quase uma década. Até ele acha que tem apenas alguns anos antes de ser substituído. Ele pode estar certo: Foden pode ser um dos melhores do mundo. Silva, no entanto, se mostrará alguém difícil de ser equiparado. / TRADUÇÃO DE CLAUDIA BOZZO

 

 

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