Kai Pfaffenbach/REUTERS
Kai Pfaffenbach/REUTERS

De adolescente a ídolo, relembre as participações de Cristiano Ronaldo na Eurocopa

Aos 36 anos, craque português inicia nesta terça-feira a busca pelo seu segundo título continental

Redação, AFP

15 de junho de 2021 | 05h00

Do adolescente com mechas loiras que chorou inconsolavelmente depois de perder a final em casa para a Grécia em 2004, ao ídolo lesionado, que se transformou em um “treinador de emergência”, que também chorou, desta vez de alegria, após vencer a final de 2016 contra a anfitriã França, Cristiano Ronaldo viveu muitas emoções na Eurocopa. O capitão de Portugal se tornará o primeiro jogador a disputar cinco edições do torneio europeu de seleções nesta terça-feira, na estreia em Budapeste contra a Hungria.

Nas quatro competições anteriores, atingiu o recorde de 21 partidas disputadas e nove gols marcados, se igualando ao francês Michel Platini como maior artilheiro do evento. "Sinto-me tão motivado ou mais do que em 2004, no meu primeiro campeonato europeu", alertou o atacante de 36 anos pouco antes de embarcar para a capital húngara.

2004: sensação juvenil

Portugal organizou a Eurocopa determinado a finalmente conquistar o título com uma equipe de alto nível em que Figo, Rui Costa, Deco e Pauleta brilhavam. A esse grupo se juntava uma promessa de 19 anos que tinha terminado a sua primeira temporada no Manchester United, após ser revelado no Sporting Lisboa.

Ronaldo fez sua primeira partida oficial pela seleção portuguesa na estreia do torneio, na derrota por 2 a 1 para a Grécia, na qual marcou o gol de sua equipe de cabeça, após cobrança de escanteio de Figo. Na final, o anfitrião e a equipe grega voltaram a se encontrar e o resultado foi mais uma vez uma derrota que deixou a “Geração de Ouro” do futebol português com o amargo gosto “do quase” na boca.

2008 e 2012: domínio da vizinha Espanha

Transformado em ídolo mundial, Cristiano Ronaldo sofreu nas edições de 2008 e 2012 acompanhando o início e o fim do grande ciclo do futebol espanhol, coroado com o título mundial de 2010. Depois de ter conquistado a primeira de suas cinco Liga dos Campeões como destaque do United, viu Portugal ser eliminado em 2008, na edição que teve como sedes a Áustria e a Suíça, nas quartas de final pela Alemanha.

Quatro anos depois, já como jogador do Real Madrid, Cristiano Ronaldo levou seu time às semifinais, depois de marcar dois gols  nas quartas de final contra a República Checa, para cair em seguida diante da Espanha. Após o empate sem gols no tempo regulamentar e na prorrogação, a equipe espanhola ganhou nos pênaltis, antes de Cristiano Ronaldo ir para a sua cobrança, pois era o último da lista.

2016: por fim o título

Após a conquista de sua terceira Liga dos Campeões, a segunda com o Real Madrid, o atacante mais uma vez lidera a equipe portuguesa, que não está entre as favoritas ao título na França. Sob as ordens do discreto técnico Fernando Santos, Portugal tornou-se o mestre da resistência: venceu apenas um dos seus sete jogos no tempo regulamentar e só esteve à frente no marcador por 75 minutos dos 720 que disputou. Mas nunca perdeu.

Na primeira fase foram três empates: 1 a 1 com a Islândia, 0 a 0 com a Áustria e 3 a 3 com a Hungria, com três gols de Cristiano Ronaldo.  Na fase seguinte, um gol na prorrogação de Quaresma, parceiro do atacante desde as categorias de base Sporting, garantiu a vitória por 1 a 0 sobre a Croácia.

Nas quartas de final, vitória nos pênaltis sobre a Polônia e, finalmente, uma placar tranquilo nas semifinais, 2 a 0 sobre o País de Gales. Mas, a final não foi disputada sem sofrimento. No Stade de France, Cristiano Ronaldo deixou o gramado lesionado aos 25 minutos e viu Eder surgir na prorrogação para marcar o gol do título inédito. Desta partida, fica na memória também a imagem de Cristiano Ronaldo na linha lateral mancando e dando instruções aos companheiros, deixando o técnico Santos em segundo plano. Após tanto tempo, enfim o primeiro grande troféu para Portugal, que entra em campo nesta terça-feira para defendê-lo.

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A nível pessoal, não sou o mesmo jogador que era com 18 anos, há dez ou há cinco. Vamos nos adaptando. A inteligência de um jogador de futebol é adaptar-se ao jogo. Os números falam por si: tenho me adaptado dos 18 aos 36 anos
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Cristiano Ronaldo, atacante de Portugal

Edição 2020

O atacante português está novamente animado para a disputa da Eurocopa. Ele carrega Portugal e é um dos principais motivadores do time. CR7 não gosta de perder. E vai atrás de novas marcas. "Não é um recorde que me deixe efusivo. É um bom recorde, mas o recorde mais bonito seria ganhar duas vezes seguidas a Eurocopa. A equipe tem estado bem, está preparada. Desejo que a equipe entre com o pé direito, que é muito importante neste tipo de competições", disse.

Também fez questão de dizer que mudou da primeira Euro para essa quinta. Foi se adaptando ao jogo. "A nível pessoal, não sou o mesmo jogador que era com 18 anos, há dez ou há cinco. Vamos nos adaptando. A inteligência de um jogador de futebol é adaptar-se ao jogo. Os números falam por si: tenho me adaptado dos 18 aos 36 anos. Eu trabalho sempre para conseguir coisas a nível pessoal e coletivo."

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