Buriram United/Divulgação
Buriram United/Divulgação

De criticado no Palmeiras, Diogo vira artilheiro na Tailândia

Atacante é um dos destaques do Buriram United

Daniel Batista, O Estado de s.Paulo

24 de junho de 2015 | 07h00

O atacante Diogo deixou o Palmeiras no fim da temporada sem deixar saudades. Participante de uma péssima campanha do Palmeiras no Campeonato Brasileiro do ano passado, o atacante deu a volta por cima com estilo e hoje brilha no desconhecido futebol tailandês. Com a camisa do Buriram United, já foram 15 gols e duas assistências em 19 jogos.  

 

Antes de se aventurar em terras asiáticas, Diogo pouco sabia do país, mas aceitou o desafio de deixar o Brasil novamente - ele já havia jogado no Olympiakos, da Grécia - pensando na questão financeira. “Eu não sabia nada da Tailândia e a questão financeira pesou. Me surpreendi com a estrutura do clube e estou bem contente por aqui”, disse, em entrevista ao Estado.   

  

O atacante de 28 anos garante que não faltaram propostas para atuar no futebol brasileiro. “Teve conversas com o Vasco e Ponte Preta, porque trabalhei com o Guto (Ferreira, técnico) na Portuguesa, mas o que mais me atraiu foi mesmo o Buriram”, explicou o jogador, que chegou a negociar uma renovação de contrato com o Palmeiras. “No meio do ano, antes da parada da Copa, conversamos sobre o assunto, mas aí o time começou a ir mal e não nos falamos mais.” 

 

Nem mesmo as diferenças culturas e de alimentação fazem com que Diogo se arrependa da escolha. Por ser neto de um avô pernambucano, ele está acostumado a comer pimenta, uma das iguarias mais utilizadas pelos tailandeses. O atacante revelado pela Portuguesa só não se aventura nas comidas exóticas. “Já vi vendendo barata, escorpião, grilo, essas coisas. Aí não dá para comer, né?” 

 

A religião também é algo que ele precisou se adaptar e respeitar. O budismo é a crença predominante no país e a religião adotada pela maioria de seus companheiros de time. “Nos jogos, o ônibus que nos leva para a partida tem que parar, os jogadores descem e vão rezar. Os que não têm a mesma religião podem ficar no ônibus e esperar”, conta. 

 

Para tentar matar um pouco da saudade do Brasil, nada melhor do que ter um amigo brasileiro. Seu companheiro de time, Macena, é quem lhe ajuda no dia a dia. A equipe conta com um tradutor que passa tudo para o inglês. Mais acostumado com o país, é Macena quem ajuda Diogo a entender melhor o que está acontecendo. Mesmo assim, o amigo acaba sendo “vítima” das brincadeiras do atacante, que com pouco mais de seis meses vivendo na Tailândia, ainda se diverte com algumas peculiaridades.  

 

“Um dia fomos jantar e chegando no restaurante, ouvi um barulho de espirro muito alto. O Macena tem mania de espirrar de uma forma que assusta. Por isso, perguntei se ele estava doido de fazer aquilo no restaurante, mas quando olhei para trás, não era o Macena, mas um filhote de elefante”, contou, gargalhando da situação. Na Tailândia é comum elefantes ficarem próximos de locais públicos para tirarem fotos. 

 

Mas o atacante também já precisou “pagar alguns micos” para cair nas graças da torcida do Buriram. Pouco depois de sua apresentação oficial, ele foi obrigado a dançar, em uma celebração relacionada as festividades do fim do ano passado. “Cheguei cansado da viagem, feliz porque poderia ir dormir e entrar rápido no fuso. Aí me avisaram que todos estavam treinando há dois dias para uma dança. Achei que era sacanagem”, lembrou. 

 

Não era uma pegadinha. De fato, Diogo foi obrigado a treinar alguns passos e participar da apresentação que teve músicas típicas da região e a famosa “Gangnam Style”, do cantor sul-coreano Psy. Aliviado, o atacante comemora. “Eu fingia que estava dançando. Morri de vergonha. Acho que ninguém filmou. Ainda bem, né? Imagine meus amigos do Capão Redondo vendo isso”.

 

FRACASSO NO PALMEIRAS 

O Palmeiras é um time que claramente mexe com Diogo. Sua passagem pelo clube não foi como o esperado e ele acredita que as trocas de jogadores e comissão técnica e a derrota para o Ituano no Paulista, foram fatores determinantes para o quase rebaixamento do Alviverde. 

 

“No começo do ano, éramos muito elogiado. Foi um jogo contra o Ituano, quando uns três ou quatro jogadores se machucaram e começou tudo a ruir. Tínhamos feito uma boa campanha e teve troca de treinadores, vieram jogadores novos e não deu certo. A gente não tinha tempo para treinar e entrosar os novos jogadores”, analisou o atacante. 

Sobre o novo Palmeiras, Diogo acompanha da Tailândia e projeta muitas alegrias. “Não tenho dúvidas que o Palmeiras vai ter sucesso. Caso não ocorra esse ano, será ano que vem. Time tem estrutura, estádio lindo, torcida que apoia demais a equipe e não tenho a menor dúvida que veremos o Palmeiras no topo do futebol brasileiro novamente.”

 

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