Dave Thompson/Reuters
Dave Thompson/Reuters

De Manchester a Montevidéu, como o City Football Group quer dominar o futebol mundial

Empresa é dona de dez clubes em cinco continentes, da Oceania à América do Sul

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2021 | 15h00

Ao chegar à final da Liga dos Campeões, no próximo sábado, contra o Chelsea, o Manchester City atinge um dos grandes objetivos do seu dono, o City Football Group (CFG). O sucesso recente do Manchester City na Premier League, com cinco títulos na última década, e a possibilidade de conquistar o primeiro título europeu são apenas as partes mais visíveis do projeto global do City Football Group. Os planos da empresa vão muito além das fronteiras inglesas. São dez clubes em cinco continentes, da Oceania à América do Sul.

Criado há apenas sete anos, o Mumbai City FC conquistou o Campeonato Indiano pela primeira vez, enquanto o Melbourne City FC terminou a temporada regular da liga australiana na primeira colocação. Na Europa, a última aquisição do grupo, o francês Troyes, conseguiu o acesso à Primeira Divisão do Campeonato Francês, enquanto o Girona luta para retornar à elite do Campeonato Espanhol.

“Cada clube do City Football Group tem objetivos individuais, porque cada equipe é diferente”, explica à agência AFP Javi Noblega, diretor comercial do Montevideo City Torque, clube uruguaio pertencente ao grupo.

Na América do Sul, o Montevideo City Torque serve como clube recrutador do grupo. “A ideia dessa estrutura é atrair os melhores talentos do Uruguai e da região”, explica Noblega. O objetivo é atrair jovens talentos para revendê-los, seja para outros times do grupo ou qualquer equipe interessada.

Apenas com a venda do meio-campista Aaron Mooy do Melbourne City para o clube inglês Huddersfield em 2017, por US$ 14 milhões, o City Football Group já ganhou mais do que o investimento que fez para comprar o clube australiano.

Dentro do City Football Group, tudo funciona em rede. No Japão, sua participação minoritária no Yokohama Marinos (20%), controlado pela gigante automotiva Nissan, resultou em um contrato de patrocínio para todas as equipes do grupo. “A comunicação dentro do City Football Group é diária e não está relacionada apenas à economia, mas também ao marketing, comunicação, patrocínio ou outros setores”, diz Noblega. “A organização é muito horizontal. Estamos em contato com as pessoas mais importantes dessas áreas dentro do grupo. Nos sentimos muito valorizados por aprender com os melhores.”

Chama atenção o crescimento econômico do grupo. Em 2015, a China Media Capital adquiriu 13% por US$ 400 milhões e, quatro anos depois, o fundo de investimento Silver Lake Partners pagou 25% a mais por apenas 10% do capital, com uma avaliação total do  grupo de U$ 4,8 bilhões. Em 2008, o xeque Mansour bin Zayed al Nayan pagou "apenas" US$ 300 milhões pela compra do Manchester City do ex-primeiro-ministro tailandês Thaksin Shinawatra. À época, o clube vivia à sombra do arquirrival United.

Hoje, a divisão acionária do grupo está entre Abu Dhabi United Group (78%), China Media Capital (12%) e Silver Lake (10%)

 

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