Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

De Maracanaú a 'Little Onion': Everton mostra a coragem de virar protagonista da seleção

Cebolinha se torna o principal jogador do Brasil na Copa América e desponta para o futebol europeu

Ciro Campos, enviado especial a Porto Alegre, O Estado de S. Paulo

26 de junho de 2019 | 04h30

O medo não faz parte do vocabulário do atacante Everton. O garoto deixou Maracanaú (CE) aos 15 anos para cruzar o Brasil e ser contratado pelo Grêmio, enfrentou a pressão de entrar e decidir um jogo no Mundial de Clubes, virou o grande nome da seleção brasileira após a saída de Neymar e agora já tem até o apelido de Cebolinha traduzido para o inglês, reflexo do imenso interesse dos clubes europeus por seu futebol.

Aos 23 anos, o atacante de 1,74 m, veloz e autor de dois gols na Copa América, aparece na lista de interesse de times com Milan, Paris Saint-Germain e os dois clubes de Manchester. Da Inglaterra, veio nos últimos dias o apelido traduzido: Cebolinha virou Little Onion em artigo do jornal The Independent.

A torcida gritou por Cebolinha em alguns momentos nesta Copa América e fez até Tite se dobrar. O treinador perguntou ao atacante se poderia chamá-lo pelo apelido. O jogador disse não se importar, pois está acostumado com o nome do famoso personagem de gibis infantis.

Quem lhe deu o apelido foi o lateral Pará, atualmente no Flamengo. O jogador olhou para o então garoto gremista de corte de cabelo diferente e logo começou a chamá-lo de Cebolinha.

Everton nasceu na região metropolitana de Fortaleza e teve como primeiro time a escolinha do Maracanã. Logo depois, foi para as categorias de base do Fortaleza, onde começou a chamar a atenção. O atual presidente do clube, Marcelo Paz, se lembra de quando o ainda adolescente Everton já era visto como uma joia. "Um dia recebemos um observador técnico da seleção brasileira. Ele viu o treino da base e logo me disse que tínhamos um menino diferenciado", contou ao Estado.  

Não demorou muito para Everton chamar a atenção de outras equipes. Com 16 anos, foi descoberto pelo Grêmio e se despediu da família para vir ao Sul. O problema foi ter chegado no inverno. "Ele saiu de mais de 40º C e veio para um dos invernos mais rigorosos das últimas décadas. Essa foi a adaptação mais difícil", disse o ex-diretor das categorias de base do Grêmio, Júnior Chávare, atual executivo da base do Atlético-MG.

VIDA NOVA

Everton morava no alojamento para os garotos, no estádio Olímpico, e disputava torneios com meninos mais velhos. O clube investiu no reforço muscular do atacante. Cebolinha ganhou quatro quilos de massa e, aos 17 anos, em 2014, estreou pelos profissionais do Grêmio – mesmo ano em que a seleção, onde joga agora, apanhava da Alemanha por 7 a 1. 

Do banco, na estreia, ele saiu para marcar um gol na final da Copa do Brasil de 2016 e novamente foi a surpresa que resolveu a semifinal do Mundial de Clubes do ano seguinte, contra o Pachuca, do México. Desde garoto, foi destemido. Encarava jogos importantes como se estivesse nas ruas de Maracanaú.

O atacante não hesitou quando virou titular do Brasil em plena Copa América e tornou-se a grande aposta de Tite para a fase final do torneio. Everton virou o tal "externo desequilibrante" do técnico, e arranca elogios dos colegas badalados. "O Everton tem qualidade. É forte na jogada individual, agudo", diz Philippe Coutinho.

O destemido Cebolinha não sente a responsabilidade de ser protagonista da seleção brasileira, ainda mais porque o próximo jogo é em Porto Alegre, na Arena do seu Grêmio. A antes gelada capital gaúcha é agora tão casa dele quanto Maracanaú. "É um estádio que já conheço, é diferente jogar ali. Passei anos ali e com certeza vamos ter apoio", diz.

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