Pedro Martins-AGIF
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De volta ao Botafogo, Jobson vai em busca do tempo perdido

Polêmico, atacante volta para apagar histórias de indisciplina

Ronaldo Lincoln Jr. , O Estado de S. Paulo

14 Março 2015 | 17h00

O Botafogo detém uma das melhores campanhas do Campeonato Carioca, em grande parte graças ao ressurgimento do polêmico atacante Jobson, vice-artilheiro da competição. Nos seis jogos que disputou na temporada, marcou cinco vezes, além de ser fundamental na distribuição de assistências. Apesar do desempenho, o jogador de 27 anos ainda é visto com certa desconfiança pelo clube. Seu contrato se encerra em junho e a negociação para renová-lo não está definida.

No fim do ano passado, Jobson retornou da Arábia Saudita após um imbróglio com o Al-Ittihad, que o acusava de ter se recusado de passar por um exame antidoping. O jogador, por sua vez, alegou que não foi requisitado para o teste em um momento em que não estava integrado ao time.

De volta ao Brasil, ele se apresentou ao Botafogo. Em grave crise financeira e nas últimas posições do Brasileirão, o clube enxergou no jogador uma chance de se salvar da degola. A expectativa sobre Jobson se deu por esperança de que ele recobrasse o bom futebol do Brasileirão de 2009, que o pôs no patamar dos melhores atacantes do País.

 

Ele até conseguiu uma autorização do Superior Tribunal de Justiça Desportiva para atuar na competição, apesar de estar suspenso pela Federação Árabe. Contudo, o time não conseguiu reagir, assim como Jobson, e o rebaixamento para a Série B foi inevitável. As atuações antes do rebaixamento desapontaram a torcida, que o hostilizou das arquibancadas e nas redes sociais.

Jobson começou o ano de 2015 desprestigiado. Uma nova diretoria e comissão técnica assumiram o controle do clube neste ano prometendo rigidez nas contas e no tratamento do time. Uma das primeiras mensagens do técnico René Simões, logo quando chegou ao Botafogo, foi a de que o atacante, com quem havia trabalhado no Bahia, teria de mostrar uma transformação em sua conduta para seguir no time.

Segundo René, o clube não serviria de "clínica de reabilitação" para nenhum atleta. Ou Jobson daria um jeito para mostrar recuperação sozinho, ou seria encostado. "No Bahia, eu abracei o Jobson, dei carinho, botamos no psicólogo, mas não adiantou. Agora é por conta dele", afirmou o técnico.

Com caras novas no ataque botafoguense, escolhidas a dedo pela comissão técnica, Jobson se tornou uma das últimas opções do treinador. A oportunidade de mostrar que poderia ser fundamental surgiu uma vez e ele não desperdiçou.

Durante o jogo com o Bangu, no início de fevereiro, o titular Rodrigo Pimpão saiu de campo contundido. Jobson entrou no jogo, fez um dos gols da vitória por 3 a 0 e ainda deu duas assistências ao atacante Bill. A partir daquele momento os dois fecharam uma parceria que tem feito sucesso no ataque alvinegro - o mais eficiente do Campeonato Carioca, com 20 gols marcados.

O jogador é considerado um dos líderes da jovem equipe alvinegra, que tem surpreendido com boas apresentações, e briga ao lado de Vasco, Fluminense e Flamengo pelo topo do estadual. Também é um dos mais aclamados pela torcida, ao lado do goleiro Jefferson.

René, inclusive, mudou o tom do discurso sobre o atacante. "Continuo fazendo com ele o que faço com outros. Converso, cobro, puno. Nada diferente", disse. "Mas, ele está entendendo que está na hora de mudar e essa mudança tem de vir dele. A entrega dele tem sido boa. Isso representa muito para o clube. O clube cobra isso. Tem sido legal."

O diretor técnico do Botafogo, Antônio Lopes, também se mostrou animado com a fase de Jobson. "O clube está gostando. Tem cumprido todo o combinado corretamente. Além disso, está dando uma resposta positiva dentro de campo. Aproveitou a lacuna deixada pelo Rodrigo Pimpão, se efetivou e, agora, é titular do time."

O jogador também tem dado sinais de que deixou para trás o passado de indisciplina e falta aos treinos. "É um cara que treina muito, chega cedo, é o último a sair dos treinamentos. Também é um dos primeiros a chegar para as concentrações."

Se dentro de campo os holofotes estão sobre ele, fora das quatro linhas o jogador está demonstrando postura recatada. Desde o início do ano tem evitado aparecer em baladas e festas. Além disso, só tem dado entrevistas assim que deixa o campo, justamente para preservar a vida pessoal.

Em um dos poucos momentos em que falou com a imprensa, logo após a vitória sobre o Bangu, ele ressaltou estar disposto a encontrar um novo rumo na vida pessoal e na carreira. "Acho que com o passar do tempo, nós ficamos mais experientes. A gente para de cometer os erros do passado e tomamos aquilo como lição. Estou feliz com o que venho passando", disse Jobson.

As atuações de Jobson estariam chamando a atenção de empresários espanhóis e, segundo as regras da Fifa, ele já poderia assinar um pré-contrato com outro time, uma vez que restam menos de seis meses para o fim do vínculo com o Botafogo - que vai até o meio do ano. Porém, o jogador manifestou à direção o desejo de continuar no clube.

E a confiança que tem transmitido motivou o clube a renovar seu contrato. A intenção inicial do Botafogo é ampliar sua permanência pelo menos até dezembro. Assim, estaria garantida a continuidade do atacante até o fim da disputa da Série B. "Já conversei com o empresário dele, já negociamos. Fiz uma proposta. Ele vai avaliar e, então, vamos conversar outra vez", afirmou Lopes.

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