Decisão da Fifa sobre 'brasileiro' causa revolta no Iraque

Jogador atuou pelo Catar de forma irregular, mas seleção não foi punida.

Rodrigo Durão Coelho, BBC

24 de setembro de 2008 | 05h57

O jogador de futebol Emerson, brasileiro naturalizado catariano, está no centro de uma polêmica envolvendo uma decisão da Fifa que rejeitou um protesto da seleção iraquiana contra uma suposta irregularidade cometida pela seleção do Catar.O atleta, em situação irregular, defendeu o Catar na vitória por 2 a 0 contra o Iraque, em março, em jogo válido pelas eliminatórias asiáticas da Copa de 2010. O artigo 55 das regras da Fifa afirma que "qualquer equipe considerada culpada de escalar um jogador inelegível deve ser considerada perdedora da partida" e "a vitória e os três pontos devem ser transferidos para o time adversário".Mesmo assim, a Fifa considerou o Catar como o vencedor da partida e a equipe avançou para a fase final das eliminatórias. "O resultado do jogo deve ser anulado e o Iraque, considerado vencedor", afirmou o presidente da federação iraquiana de futebol, Hussein Saeed.O casoEmerson infringiu a regra que proíbe um jogador que já defendeu uma seleção, mesmo em categorias inferiores, de jogar por outra. Usando o nome de Marcio Passos de Albuquerque, ele atuou pelo Brasil no sul-americano sub-20 de 1999.O jogador já havia sido detido pela polícia brasileira em 2006 por falsificar sua idade no passaporte.A Fifa usou o código penal suíço - país onde a instituição é sediada - para julgar o caso. O Catar acabou sendo absolvido da acusação de ter recebido informações falsas. Mas o jogador foi banido dos quadros da Fifa. A organização rejeitou o apelo iraquiano alegando o não cumprimento dos prazos e o não-pagamento de taxas. O caso deve ser julgado novamente em duas semanas pelo Tribunal Arbitral do Esporte (TAE), órgão internacional que regulamenta disputas relativas a esportes.A Fifa disse que não vai comentar o caso até que o veredicto do TAE seja divulgado.A polêmica levou vários internautas iraquianos a acusar o Catar de usar seu prestígio junto à Fifa para não ser penalizado. A maior parte da imprensa no Catar preferiu ignorar o caso.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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