Decisão de Parreira surpreende dirigentes sul-africanos

Técnico se reúne com dirigentes nesta sexta-feira para acertar os detalhes do rompimento do contrato

Silvio Barsetti, O Estado de S. Paulo

18 de abril de 2008 | 20h09

Para formalizar sua saída da seleção da África do Sul, o técnico Carlos Alberto Parreira está negociando questões contratuais com os dirigentes locais. Nesta sexta-feira, ele teve a primeira reunião com a Confederação Sul-Africana de Futebol para tratar do assunto. Foi convocado para o encontro justamente por causa do noticiário no Brasil que dava conta de sua decisão de deixar o cargo. Na última quarta-feira, o Estado divulgou a decisão de Parreira, com informações de um de seus amigos mais próximos no Rio, segundo o qual o treinador já teria deixado clara a intenção de voltar definitivamente ao Brasil, o mais rápido possível.  E nesta sexta-feira, o site sul-africano Kick-off confirmou o rompimento de contrato entre Parreira e a seleção da África do Sul. Apesar disso, nenhuma das partes confirmou oficialmente até agora o fim do acordo. De acordo com a imprensa sul-africana, o técnico brasileiro ficou de conceder entrevista coletiva na segunda-feira para explicar as razões que o levaram a desistir do projeto, que ia até a Copa do Mundo de 2010, na própria África do Sul. Antes de se reunir com Parreira, o diretor-executivo da Confederação Sul-africana, Raymond Hack, disse que desconhecia o desejo do treinador de não continuar no país. Chegou a dizer o óbvio para a imprensa sul-africana - que o contrato do treinador estava vigente e terminaria ao fim da Copa do Mundo de 2010.  Assim que voltar ao Rio, Parreira não pretende assumir nenhum compromisso com clubes - pelo menos até o final do ano. Quer descansar ao lado da mulher, Leila, das filhas e das três netas. Na verdade, não estaria mais disposto a trabalhar como técnico. Seu objetivo seria atuar em áreas mais específicas do esporte, como, por exemplo, na coordenação de projetos especiais ligados à gestão do futebol. Aos 65 anos, Parreira não se sente cansado pela maratona de viagens a serviço dos clubes e seleções pelos quais trabalhou nos últimos 40 anos. Mas quer direcionar suas atividades a fim de permanecer mais próximo dos parentes. Também pesou na decisão de Parreira de deixar a África do Sul um recente problema de saúde de sua mulher, Leila. No Rio, ela chegou a ser submetida a uma pequena intervenção cirúrgica, sem que as filhas o avisassem. Ele só soube que estava tudo bem depois que Leila voltou para casa. Parreira assumiu o comando da seleção sul-africana em fevereiro do ano passado. Aos poucos, conseguiu montar um grupo com alguma possibilidade de sucesso na próxima Copa. No último amistoso, em 26 de março, a África do Sul bateu o Paraguai por 3 a 0, na cidade de Pretória.

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