Rodrigo Gazzanel/Ag. Corinthians
Rodrigo Gazzanel/Ag. Corinthians

Decisão do TJD abre brecha para Estadual acabar na Justiça

Tribunal teme receber recursos após ter anulado suspensão automática de Gabriel, do Corinthians

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

28 Fevereiro 2017 | 07h00

A expulsão do corintiano Gabriel no clássico de semana passada com o Palmeiras, pelo Campeonato Paulista, ainda não está totalmente resolvida. A anulação do cartão vermelho não seguiu os trâmites do Tribunal de Justiça Desportiva e, agora, o presidente do TJD, Antônio Olim, já se prepara para possíveis recursos de outras equipes contra a sua decisão. 

Olim absolveu Gabriel antes mesmo de o tribunal julgar a expulsão do jogador – o caso será analisado pelos auditores apenas na próxima segunda-feira. Autorizado pelo presidente do TJD, o Corinthians escalou o jogador na vitória por 3 a 2 sobre o Mirassol, no sábado. O volante atuou os 90 minutos. Antes do julgamento, o Corinthians ainda fará mais um jogo no Paulista, sábado, contra o Santos.

Olim admitiu em entrevista ao Estado, nesta segunda-feira, ter tomado uma decisão fora do comum ao anular o cartão, já que o Regulamento Geral das Competições da Federação Paulista de Futebol (FPF) determina o cumprimento da suspensão automática independente da decisão da Justiça Desportiva. "Abri uma exceção que vai dar o que falar, mas estou com a consciência tranquila. Ele será absolvido no julgamento. Quem quiser recorrer, que recorra", afirmou. "Na regra, na Fifa, não existe isso."

O presidente do Mirassol, Edson Ermenegildo, descartou questionar a decisão do TJD, mesmo com a derrota do seu time no sábado, mas admite a possibilidade de outras equipes recorreram ao tribunal. "Qualquer outro clube interessado como terceiro pode reclamar. Aí vai ter problema", disse.

Olim reforçou que a sua intenção foi dar celeridade ao procedimento e citou ter feito o mesmo na final da Copa São Paulo de Futebol Junior, ao confirmar a eliminação do Paulista por ter usado um jogador com documento alterado e idade acima do limite.

"Eu não estou mudando as regras. Estou usando o bom senso e mostrando o seguinte: antes dele (Gabriel) ser julgado e ficar fora, eu já absolvi. Na verdade, fiz um efeito suspensivo aguardando o julgamento, porque acho que ele será absolvido", disse Olim.

O árbitro do clássico admitiu logo depois do fim da partida ter errado na expulsão de Gabriel, ao confundi-lo com o volante Maycon, autor da falta cometida em Keno, do Palmeiras. Thiago Peixoto, de 38 anos, ficará por um período indeterminado fora da escala de trabalho das partidas do Estadual para passar por reavaliação do departamento de arbitragem da FPF.

No despacho em que determinou a anulação do cartão vermelho a Gabriel, Olim classificou a punição como "grotesca". Peixoto acrescentou à súmula o erro, após ter enviado à FPF uma versão anterior do documento sem relatar o incidente.

"O juiz atrapalhou um belo clássico por um erro e não foi humilde de voltar atrás. Eu fiz o que achei que deveria ser feito. Se não gostarem, que me tirem do tribunal. Eu sou assim", afirmou Olim. "Pode ser que futuramente alguns clubes contestem, mas cada problema é um problema. Na hora a gente vê", acrescentou.

O julgamento da próxima segunda-feira, além de analisar o caso de Gabriel, vai tratar de outra polêmica do clássico. A Comissão Disciplinar vai avaliar a cotovelada do zagueiro Vitor Hugo, do Palmeiras, dada em Pablo, do Corinthians, nos minutos finais do jogo. O lance não foi relatado na súmula, porém o TJD pediu as imagens para analisar uma possível punição ao jogador.

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