Felipe Rau / Estadão
Felipe Rau / Estadão

Decisão entre São Paulo e Palmeiras marca a volta do prestígio do Paulistão

Times tricolor e alviverde se enfrentam às 16h no Morumbi em final que faz o torneio estadual ter relevância que há anos não se via

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2021 | 05h00

Considerado o torneio menos importante da temporada dos grandes clubes de São Paulo em função do nível técnico dos competidores, o Campeonato Paulista Sicredi 2021 ganhou relevância e virou prioridade nas últimas semanas. São Paulo e Palmeiras decidem neste domingo o título estadual, às 16h, no Morumbi, depois de poupar seus titulares nos jogos da Libertadores, badalado torneio que garante vaga no Mundial de Clubes. Essa mudança de status do estadual em relação ao sul-americano era impensável anos atrás. O Paulistinha voltou a ser o Paulistão.

Depois do empate por 0 a 0 no primeiro jogo da semifinal, no Allianz Parque, nova igualdade (por qualquer placar) levará a decisão para os pênaltis. O vencedor levará o título. Por ter feito a melhor campanha, o São Paulo leva a vantagem de fazer o segundo confronto em casa.

Disputado em cerca de três meses, o Campeonato Paulista merece o grau aumentativo também em função de sua rentabilidade. Nesta semana, o Estadão mostrou que o campeão paulista vai receber R$ 33,5 milhões. Para faturar esse mesmo valor, Palmeiras e São Paulo teriam de chegar ao menos na semifinal da Libertadores, quando receberiam R$ 40 milhões. Ou chegar também à semifinal da Copa do Brasil.

Para o São Paulo, o torneio estadual se tornou a primeira oportunidade da temporada de encerrar o jejum de nove anos sem conquistas. Do lado alviverde, o bicampeonato seria uma resposta às críticas depois dos reveses na Supercopa do Brasil e na Recopa Sul-Americana e de uma campanha irregular na primeira fase. Por essas razões, a taça está longe de ser “menor” – além disso, o Palmeiras não é bicampeão paulista desde os anos de 1993 e 1994.

O termo “Paulistinha” foi usado mais recentemente pelo presidente Maurício Galiotte, do Palmeiras, na decisão contra o Corinthians em 2018. O dirigente criticou a arbitragem liderada por Marcelo Aparecido Ribeiro de Souza por recuar depois de assinalar um pênalti de Ralf em Dudu por “interferência externa”, segundo ele. Entre a marcação da penalidade e o cancelamento da falta na área se passaram oito minutos. O Corinthians se sagrou campeão daquele ano nos pênaltis. “Esqueçam o Paulistinha. O Palmeiras vai brigar por coisas grandes”, disparou na época.

Para o técnico Hernán Crespo, a conquista é sinônimo de tranquilidade e respaldo para o restante da temporada. Vale o mesmo raciocínio para a diretoria, que tomou posse em janeiro. Foi por isso que o diretor de futebol do São Paulo, Carlos Belmonte, usou a expressão “Copa do Mundo” para se referir ao torneio estadual. Um troféu se tornou ainda mais urgente após a campanha no Campeonato Brasileiro do ano passado. Depois de abrir sete pontos na liderança, o time do Morumbi perdeu fôlego e deixou escapar um título que estava bem próximo.

Essa obsessão orientou o planejamento da comissão técnica desde o início do torneio. Nas fases agudas, ele ficou ainda mais evidente. Com o aval dos diretores, o time poupou os titulares nos dois últimos jogos da Libertadores (empate por 1 a 1 com o Rentistas no Uruguai e derrota em casa para o Racing por 1 a 0). Hoje é o segundo colocado da chave liderada peo clube argentino. Tudo para que o time principal fosse preservado para os dois jogos da decisão.

Todos os cuidados tiveram êxito apenas relativo. O clube confirmou que a meia Martin Benítez sofreu um estiramento na coxa esquerda, descartando a utilização do argentino na segunda decisão. Já o lateral-direito Daniel Alves sofreu um trauma no joelho e será reavaliado. O clube vive ainda a expectativa pela volta dos atacantes Luciano e Eder, que também se recuperam de lesão.

“Neste momento, qualquer coisa que eu fale aqui não quero que vire desculpa. Mas é um fato, o calendário é assim. Vamos jogar uma final no Morumbi, vamos ver como os atletas estarão. Sabemos da dificuldade, mas a situação é essa e convivemos com ela”, afirmou Crespo após a partida desta quinta.

ESCOLHAS

Para o Palmeiras, o torneio foi ganhando peso aos poucos. Depois que a Federação Paulista de Futebol negou o pedido de adiamento do jogo com o Corinthians, ainda na segunda rodada da fase de classificação, o atual campeão passou a escalar um time B. Às vezes, até o C no torneio. A prioridade escancarada era a Libertadores.

Nas fases finais do estadual, a situação mudou. A escalação reserva passou a ser mais encorpada pelo treinador português. Nas quartas de final diante do Red Bull Bragantino, jogaram vários titulares – o gol da classificação foi marcado por Rony, destaque da temporada. 

Diante do Corinthians, na semifinal, a escalação foi a principal. Além disso, o técnico Abel Ferreira usou o time reserva na última partida da Libertadores, terça, no Allianz Parque – derrota por 4 a 3 para o Defensa y Justicia. Vale lembrar que o time já está classificado em primeiro lugar do Grupo A da competição.

Com um elenco recheado de opções, Abel deve repetir a escalação do jogo de quinta-feira. Uma opção que não pode ser descartada é a volta do lateral-esquerdo Matías Viña, titular nas conquistas do Paulistão, Libertadores e Copa do Brasil de 2020, no lugar de Victor Luis – o uruguaio tem muita qualidade no jogo ofensivo. “A história do jogo de quinta foi essa, no domingo pode ser outra. São jogos diferentes, basta ter um gol cedo no jogo que já vai ser diferente. Se não houver gols, será parecido”, analisou João Martins, auxiliar de Abel Ferreira.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.