Raul Arboleda/AFP
Raul Arboleda/AFP

'Decolar com excesso de peso é uma prática irregular', diz especialista

Jorge Barros fala sobre a queda do avião da Chapecoense

O Estado de S. Paulo

27 de dezembro de 2016 | 07h00

As autoridades colombianas divulgaram na segunda-feira o resultado da análise das caixas-pretas do avião da Chapecoense e apontaram uma nova falha da companhia aérea LaMia. Além da falta de combustível (pane seca) e de um plano irregular de voo, o avião decolou com excesso de peso, o que é outra prática proibida pela aviação internacional. Confira a explicação de Jorge Barros, especialista em segurança de voo.

1. Qual é a influência do excesso de peso de cerca de 500 quilos na queda do avião da Chapecoense? 

O excesso de peso não influenciou na queda em si, mas ele indica que a companhia não tinha uma doutrina, como dizemos na avião. Foi mais uma indicação de que a companhia não tem uma cultura de bons procedimentos. Decolar com excesso de peso é uma prática irregular na aviação. Não é um comportamento correto. Os problemas poderiam ter ocorrido desde a decolagem.

2. Como assim? 

Na decolagem, os motores puxam a aeronave para a frente, o ar flui entre as asas e o avião ganha sustentação para voar. Quando um avião decola com todos os assentos ocupados e o tanque cheio, os motores não têm força suficiente para fazer o avião subir. Ele poderia ter caído logo após sair do chão. 

3.Se é uma prática irregular, por que os aviões decolam com excesso de peso? Isso é comum? 

É comum. As companhias buscam fazer voos mais rentáveis saindo com tanque cheio e sem parada para reabastecer. É possível ocupar todos os assentos, mas é preciso prever o reabastecimento. O problema é que isso tem custos. No caso da Chapecoense, não há dúvida da culpa do piloto. Mas é preciso lembrar que companhias, no mundo todo, procuram reduzir custos e tentar otimizar lucros, principalmente em momentos de crise.

Tudo o que sabemos sobre:
FutebolAcidente AéreoChapecoense

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.