Defensores Del Chaco vira feira livre

Os arredores do Estádio Defensores Del Chaco viraram uma grande feira livre, com os moradores, levando até a calçada de suas casas humildes, pequenos toldos com geladeira e fogão, improvisados. Ao mesmo tempo em que vendiam bebidas, churrasco e pipoca, os vizinhos do estádio também ofereciam ingressos a preços bem mais caros. Eles portanto, se revezavam no papel de cambistas. Um forte esquema de segurança que contou com mais de 500 policiais da capital, impedia que torcedores que chegavam nas imediações do Del Chaco, consumissem bebida alcoólica se não fossem compradas nos quiosques, improvisados, dos moradores. Alguns policiais mais descontraidos bebiam cerveja num ambiente total de confraternização. O preço do refrigerente e do churrasquinho dependia da nacionalidade do torcedor. Os brasileiros pagavam até 20 mil guaranis (cerca de R$ 12,00) por um espeto de carne de terceira qualidade. Já os de casa, pagavam a metade do preço. Um grupo de torcedores do Brasil fretou um ônibus em Foz do Iguaçu e teve problemas assim que chegava na periferia de Assunção. Por causa do buzinaço que promoviam dentro do veículo, foram interceptados e registrados. A viagem desses 40 brasileiros deveria durar três horas, mas por causa da operação policial, levou nove horas. Por fim, chegaram a "doar" duas camisas da seleção brasileira para os policiais e conseguiram ser liberados. Fazia muito calor pouco antes do início do jogo, em torno de 33 graus, o que aumentou a venda de bebidas e motivou a torcida a usar roupas mais leves. Algumas paraguaias despertaram a atenção do público com saias bem curtas e vistosas. Antes de a bola rolar, elas foram a grande atração da maior parte da platéia das arquibancadas. A torcida local cercou as ruas residenciais em torno do estádio com um cinturão de bandeiras galhardentes e lencinhos, do Paraguai. Havia também muitas camisas do Brasil com o número 9, de Ronaldo, cujo o preço também dependia da origem do comprador e variava de R$ 35,00 a R$ 60,00.

Agencia Estado,

31 de março de 2004 | 21h31

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