Jorge Saenz/AP
Jorge Saenz/AP

CBF diz que Neymar foi 'desestabilizado' e espera absolvição

Defesa alega que craque foi provocado até pela arbitragem

ALMIR LEITE E GONÇALO JUNIOR, enviados especiais a Santiago, O Estado de S. Paulo

19 de junho de 2015 | 11h25

A CBF espera conhecer ainda na tarde desta sexta-feira a decisão do Tribunal Disciplinar da Conmebol sobre a expulsão de Neymar no jogo entre Brasil e Colômbia, pela segunda rodada da fase de grupos da Copa América. A entidade pediu a absolvição do craque sob a alegação de que ele se descontrolou por que foi provocado por adversários e até pela arbitragem e que não teve intenção de atingir Armero com uma bolada. Neymar já está fora do jogo com a Venezuela, por acúmulo de cartões amarelos.

"Entendemos que, por ele ser primário, a suspensão por uma partida (pelo acúmulo de cartões) já é mais do que suficiente", disse o diretor jurídico da CBF, Carlos Eugênio Lopes. "E ele foi alvo de violência, provocações. Isso desestabiliza."

No entanto, os comentários na manhã desta sexta-feira dão conta de que não será fácil evitar que o atacante pegue pelo menos uma partida de suspensão pelos atos que motivaram o cartão vermelho que lhe foi dado após o fim da partida pelo juiz chileno Enrique Osses. Após o chute da bola em direção a Armero, Neymar tentou dar uma cabeçada no zagueiro Murillo e acabou empurrado pelo atacante Bacca.

A Conmebol informou oficialmente que anunciará a decisão nesta sexta-feira. Mas tem prazo até domingo e, por isso, não está descartada a protelação da análise do caso. O prazo da CBF para apresentar a defesa de Neymar se encerra ao meio-dia, mas o e-mail já teria sido enviado ao tribunal.

Na CBF já se considera uma partida de suspensão pela expulsão como um mal menor. Neymar ficaria de fora das quartas de final - ninguém considera a hipótese de o Brasil ser eliminado na primeira fase - e ainda recarregaria as baterias para os últimos jogos se a seleção seguir em frente.

Há confiança de que essa será a pena recebida por Neymar (o tribunal poderá aplicar até 3 jogos, o que tiraria o jogador do torneio), pelos argumentos apresentados no pedido de absolvição e também porque a CBF, e até mesmo integrantes do tribunal da Conmebol, consideram que o regulamento é dúbio, pois o artigo 29, apesar de no parágrafo terceiro dizer que por atitude antidesportiva o cartão vermelho não anula o cartão amarelo recebido numa mesma partida, o parágrafo segundo pode levar a este tipo de interpretação - a que de o vermelho anula o amarelo apesar de ter sido recebido diretamente. O confuso regulamento também será usado como argumento a favor de pena branda a Neymar.

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