Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Defesa da seleção brasileira preocupa Felipão para a semifinal

Treinador sai feliz com a vitória e a classificação, mas ressalta que setor defensivo precisa passar por ajustes

Robson Morelli - Enviado Especial, O Estado de S. Paulo

20 de junho de 2013 | 07h40

FORTALEZA - Felipão sabia que seria atacado pelos mexicanos, como não havia sido desde que reuniu o elenco para a Copa das Confederações. E ficou preocupado com o que viu. Ele disse que o Brasil foi bem melhor na partida anterior, diante dos japoneses, e que a seleção se perdeu depois dos 25 minutos do primeiro tempo.

 

Em sua avaliação, a lesão no nariz de David Luiz desfigurou a equipe e seu posicionamento e fez o adversário crescer na partida. "Com o David Luiz fora para atendimento médico (seu nariz sangrava sem parar), o México tomou conta do jogo e, mesmo depois da volta do meu jogador, nós não conseguimos mais nos encontrar até o fim da primeira etapa." Felipão viu pelo menos três bolas perigosas pipocarem na frente do goleiro Julio Cesar, que poderiam ter sido gols.

 

Ele deixou o campo ressabiado com o lado esquerdo de sua defesa. Marcelo sofreu muito para marcar Giovani dos Santos e Barrera e não teve nesta partida a cobertura que o chefão esperava. "Precisamos trabalhar um pouco mais para poder ajudar os nossos laterais." Referia-se a Marcelo, mas também disse que Daniel Alves teve dificuldades. Ocorre que Felipão não consegue segurar seus laterais, como era em 2002, quando o time tinha Cafu e Roberto Carlos.

 

Felipão quer que os volantes façam esse trabalho de proteção. Citou Hernanes e Luiz Gustavo, que tem atuado quase como um terceiro zagueiro. Contra a Itália, é bem provável que ele reforce o setor, até porque o time europeu costuma avançar sua marcação e tem bom domínio de bola no meio de campo, com Pirlo no comando.

 

O treinador também admitiu o acerto de contas com os mexicanos. "Quando há dois rivais das Américas, do Sul ou Central, sempre há um acerto de contas para fazer, um ‘quezinho’ que ficou para trás em algum momento para ser resolvido. Foi agora. Os jogadores me disseram que o México estava engasgado na garganta por causa da derrota na Olimpíada de Londres. Então isso também fez da partida uma disputa mais pegada, mais dura, mais ríspida, mas sem maldade."

 

Felipão tratou de agradecer o carinho do torcedor cearense, destacou como eles cantaram o hino nacional e disse que isso mexeu com seus jogadores. Até aqui na caminha da seleção, Fortaleza foi a cidade que melhor tratou o Brasil. Até Hulk foi aplaudido por seus conterrâneos. O técnico também fez questão de encerrar o assunto dos protestos que estouraram pelo país nos últimos dias. Ficou feliz porque a seleção não sofreu nada com isso. Disse que o time brasileiro está junto para dar alegria ao torcedor. "Essa é a única coisa que podemos fazer."

 

Felipão reconheceu o bom trabalho de Jô no time. Ele sabe que o atacante do Atlético-MG, com seu gol, deixou o Brasil bem mais confortável na disputa. Mas não quis ressaltar tanto as qualidades e o faro de gol do grandalhão, principalmente para não melindrar Fred, que mais uma vez passou em branco. Sobre Neymar, preferiu dizer que ele foi bem em todos os setores do campo, e soube definir as jogadas quando teve chance.

 

A seleção permanece em Fortaleza até esta quinta-feira. Depois do almoço, às 15 horas, o time viaja para Salvador, onde no sábado enfrenta a Itália, que bateu o Japão ontem por 4 a 3. Brasil e Itália vão disputar o primeiro lugar do Grupo A.

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