Defesa de Mauro Silva: sair atirando

O volante Mauro Silva, capitão e símbolo da garra da seleção bandida pretendida pelo presidente da CBF, Ricardo Teixeira, abandonou o barco minutos antes do embarque para a Cali. Alegando que a Colômbia não oferece condições de segurança para a realização da Copa América, o jogador pediu dispensa ao técnico Luiz Felipe Scolari literalmente à porta do avião. Na tarde de segunda-feira, Mauro Silva foi ao aeroporto de Cumbica de terno, gravata e bagagem. Chegou a fazer o check-in e até a despachar sua mala para Cali. Deu entrevistas como se fizesse parte da delegação, apesar de estar recuperando-se de uma contusão muscular na coxa direita. Na hora do embarque, no entanto, desistiu. Hoje, constrangido, convocou uma entrevista coletiva para explicar seus motivos. "Tinha tomado a decisão na manhã de segunda-feira", disse. "A vida das pessoas tem de estar acima de qualquer interesse econômico, comercial ou político. Estou disposto a defender o país, mas acho que a Colômbia não tem condições de realizar a competição." Campeão mundial com a seleção brasileira em 94, o jogador garante não ter sofrido pressões por parte de seu clube, o La Coruña, da Espanha, com quem contrato até 30 de junho de 2004. Mauro Silva admitiu ter sentido a preocupação da mulher, Terumi, com os "conflitos internos da Colômbia". O jogador tem dois filhos, Mauro, de 6 anos, e Mathaus, de 3 meses. "O Luiz Felipe disse que a Polícia Federal estaria viajando com a gente e que haveria um aparato militar para nos dar segurança, mas como poderia treinar e jogar sabendo que soldados com metralhadoras estariam ao nosso lado ?", perguntou. Mauro Silva sabe que, aos 35 anos de idade e a partir de agora carregando a pecha de ter abandonado o time, seu ciclo pela seleção pode ter chegado ao fim. Indiretamente, fez duras críticas à CBF. "A corrupção e os interesses econômicos prejudicam muito o futebol brasileiro e tenho de falar o que penso." O volante garantiu estar consciente da decisão que tomou. "Ao comunicar minha decisão, o Luiz Felipe me deu um abraço e disse tudo bem", contou. "Eu gostaria de continuar na seleção no futuro, mas não sei se ficou mágoa por parte do técnico e da CBF. Se ficou, vou entender." Quanto ao desempenho da equipe na Copa América, o jogador disse ter dúvidas. "A questão emocional prejudica o jogador. E se o Brasil não fizer um bom papel, alguém vai levar em conta esse aspecto?"

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