Ivan Storti/Santos FC
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Defesa de Robinho fala em 'equívoco de interpretação' em gravações e nega violência sexual

Advogados afirmaram que o jogador não cometeu o crime de estupro pelo qual foi condenado em 1ª instância na Itália e que as conversas divulgadas não foram corretamente traduzidas para o idioma italiano

Ricardo Magatti, O Estado de S.Paulo

16 de outubro de 2020 | 15h38

A defesa de Robinho se posicionou a respeito dos detalhes do processo em que o jogador foi condenado a nove anos de prisão em primeira instância na Itália por estupro coletivo contra uma jovem de origem albanesa. Os advogados do atleta, anunciado como reforço do Santos no último fim de semana, afirmaram que houve um "equívoco de interpretação" em relação às conversas gravadas com autorização judicial e divulgadas pelo globoesporte.com nesta sexta-feira e voltaram a negar que o atacante seja culpado pelo crime. 

Transcrições de interceptações telefônicas realizadas com autorização judicial e divulgadas pelo site mostraram que Robinho revelou ter participado do ato que levou uma mulher albanesa a acusar o jogador e cinco amigos de estupro coletivo, em Milão, na Itália. Em 2017, a Justiça italiana se baseou principalmente nessas gravações para condenar o atacante em primeira instância. 

De acordo com a investigação, Robinho e outros cinco amigos, incluindo Ricardo Falco, que também foi condenado, levaram a mulher ao camarim de uma boate chamada Sio Café, em Milão, e lá abusaram sexualmente dela. O caso aconteceu em 22 de janeiro de 2013, quando o atleta defendia o Milan. Os outros suspeitos deixaram a Itália ao longo da investigação, e por isso a participação deles no ato é alvo de outro processo.

Segundo os advogados de Robinho no Brasil, Marisa Alija e Luciano Santoro, ele não é culpado pelo crime e a relação sexual foi consentida. "O jogador reitera que não cometeu o crime do qual é acusado e que sempre que se relacionou sexualmente foi de maneira consentida", diz trecho da nota oficial enviada ao Estadão.

A defesa do jogador afirmou que "não houve violência sexual, tampouco admissão de culpa nas interceptações telefônicas", disse que "há nos autos provas suficientes da inocência de Robinho" e que existem "outras que ainda serão apresentadas à Justiça italiana que certamente levarão à sua absolvição".

Além da interceptação telefônica com autorização da Justiça, a policia italiana instalou grampo no carro utilizado por Robinho no país. Para os advogados, houve um erro de interpretação da Justiça na tradução dos diálogos para o idioma italiano. "Há diversas conversas interceptadas que não foram corretamente traduzidas para o idioma italiano, o que levou ao equívoco de interpretação", afirma o comunicado. 

A decisão do Tribunal de Milão, proferida em 2017, ainda não é definitiva e foi alvo de contestação das defesas do jogador do Santos e de Ricardo Falco, o outro amigo condenado. Os advogados dos dois apresentaram recurso e ambos respondem em liberdade. Há mais duas instâncias na Itália até o trânsito em julgado da ação, isto é, até se esgotarem os recursos. O caso será apreciado em segunda instância pela corte de apelação de Milão em dezembro.

"Confiamos plenamente na Justiça italiana, no sucesso do recurso defensivo e na reforma da decisão, conscientes de que a submissão do feito às instâncias superiores permite justamente evitar erros judiciários e condenações injustas", conclui os defensores.

A repatriação de Robinho pelo Santos gerou repercussão muito negativa nas redes sociais. Torcedores protestaram e a Orthopride já rompeu o contrato de patrocínio com o clube. Além disso, outras patrocinadores, como Tekbond e Kicaldo, já avisaram que vão deixar de apoiar financeiramente a equipe se o atleta for mantido no elenco. O presidente Orlando Rollo pediu prudência em relação ao caso e defendeu o atacante, mesma postura do técnico Cuca. O treinador ressaltou que ele é "uma pessoa maravilhosa e "exemplo de jogador".

Leia na íntegra o comunicado dos advogados de Robinho:

Com relação à reportagem “As gravações do caso Robinho na justiça italiana”, publicada hoje pelo GE, os advogados do jogador Robson de Souza esclarecem:

1.    O jogador reitera que não cometeu o crime do qual é acusado e que sempre que se relacionou sexualmente foi de maneira consentida;

2.    Taxativamente não houve violência sexual tampouco admissão de culpa nas interceptações telefônicas, o que fica claro quando analisadas na integralidade e no contexto correto;

3.    Por se tratar de processo sigiloso e ainda em curso, estamos impedidos de falar sobre o mérito das acusações. Entretanto, sobre a divulgação em si, deve ser esclarecido que há nos autos provas suficientes da inocência de Robinho - as quais infelizmente não foram divulgadas na matéria - e outras que ainda serão apresentadas à Justiça italiana, que certamente levarão à sua absolvição. Há diversas conversas interceptadas que não foram corretamente traduzidas para o idioma italiano, o que levou ao equívoco de interpretação.

4.    Confiamos plenamente na Justiça italiana, no sucesso do recurso defensivo e na reforma da decisão, conscientes de que a submissão do feito às instâncias superiores permite justamente evitar erros judiciários e condenações injustas.

5.    Por fim, Robinho agradece o apoio da torcida do Santos Futebol Clube e, como pai de família e atleta, faz questão de ressaltar que repudia todas as formas de violência.

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