Deixar hotel foi ideia do advogado de Whelan, diz presidente da Match

Jaime Byrom, que está no Brasil, isenta a empresa de culpa em esquema ilegal de venda de ingressos da Copa

Entrevista com

Jamil Chade e Tiago Rogero, O Estado de S. Paulo

24 de julho de 2014 | 15h41

A Copa do Mundo terminou há 12 dias, mas o presidente da Match, Jaime Byrom, continua no Brasil. Só pelo último fim de semana voltou à Inglaterra, onde mora e fica a sede da empresa; e logo retornou ao Rio para acompanhar de perto a situação do cunhado e funcionário Raymond Whelan, casado com a irmã de Jaime, Ivy Byrom, e acusado de ser o principal fornecedor do milionário esquema de venda ilegal de ingressos do Mundial desarticulado pela operação Jules Rimet.

Segundo Byrom, não partiu da Match a ordem para que Whelan deixasse o Copacabana Palace – 18 minutos após ter a prisão preventiva decretada pela Justiça e sete minutos antes da chegada dos policiais ao hotel – pela porta de serviço. "Eu não estava presente, mas posso te dizer que não foi a Match. Acredito que ele foi aconselhado por seu advogado a ir com ele para mais orientações", disse Byrom ao Estado, nesta quinta-feira. O delegado que investiga o caso, Fábio Barucke, da 18ª DP (Praça da Bandeira), já afirmou que pretende indiciar o advogado de Whelan, Fernando Fernandes, por favorecimento pessoal.

"Não sou advogado e peço que leve isso em conta, mas meu entendimento é que os termos do Habeas Corpus que libertou originalmente Ray simplesmente o impediam de deixar o Rio por mais de oito dias seguidos ou deixar o país. Não acredito que os termos do HC eram de que ele deveria ficar especificamente no Copacabana Palace", afirmou Byrom. O executivo disse não saber onde Whelan passou o fim de semana em que ficou foragido – antes de se entregar, foi procurado em pelo menos 15 lugares diferentes, até no Maracanã, no dia da decisão, por policiais da 18ª DP (Praça da Bandeira)

Jaime Byrom reforçou o posicionamento da Match até agora: Ray Whelan é inocente e não cometeu nenhum ato ilegal. Para o presidente da Match, as leis brasileiras (como o Estatuto do Torcedor) proíbem a venda de ingressos por preços acima do chamado "valor de face", mas não dos pacotes de "Hospitalidade" da Fifa, que são negociados pela Match.

Os principais pontos da entrevista você confere na edição de sexta-feira do Estadão. Abaixo alguns trechos:

De quem a partiu a decisão de deixar o Copacabana Palace no dia em que a Justiça decretou novamente a prisão de Whelan? Dele, de seu advogado ou da Match?

Jaime Byrom: Eu não estava presente, mas posso te dizer que não foi a Match. Acredito que ele foi aconselhado por seu advogado a ir com ele para mais orientações. Não sou advogado e peço que leve isso em conta, mas meu entendimento é que os termos do Habeas Corpus de Ray originalmente simplesmente o impediam de deixar o Rio por mais de oito dias seguidos ou deixar o país. Não acredito que os termos do HC eram de que ele deveria ficar especificamente no Copacabana Palace. Mas os fatos que permanecem é que ele não estava disponível, não se entregou à Justiça até segunda, um dia após a final. Isso é um fato.

Onde Whelan passou o fim de semana?

JB: Eu não sei. Não falo com ele desde antes de ser preso pela segunda vez.

Sua irmã (Ivy Byrom, casada com Whelan, diretora da Byrom plc, acionista majoritária da Match) estava com ele no fim de semana?

JB: Não. Na verdade, estávamos tentando entrar em contato com ele naquele período de tempo. Quando digo ‘nós’ somos eu, minha irmã e o resto da família. Nenhum de nós sabia o que Ray estava fazendo naquele período.

A Match está satisfeita com a atuação do advogado de Whelan?

JB: Não vou comentar isso simplesmente porque não sou qualificado para isso. Acredito que Ray está feliz com seu advogado e é isso que importa, não é uma questão para a Match. Temos nossos próprios consultores legais, estamos felizes com eles e o Sr. Fernando Fernandes é advogado do Ray. Se ele está feliz com ele, então estamos felizes com o Sr. Fernandes.

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