Silvia Izquierdo/ AP
Silvia Izquierdo/ AP

Del Nero banca Dunga na seleção brasileira nas Eliminatórias

Técnico continua no cargo apesar do fiasco na Copa América

ALMIR LEITE E GONÇALO JÚNIOR / ENVIADOS ESPECIAIS A CONCEPCIÓN, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2015 | 06h56

Logo após a derrota do Brasil para o Paraguai nos pênaltis, o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, ligou para o técnico Dunga e para o coordenador de seleções, Gilmar Rinaldi. Não foi uma ligação para cobrança ou reclamação diante da eliminação precoce na Copa América. Era o contrário. O presidente queria transmitir tranquilidade e confiança para a continuidade do trabalho. Dunga agradeceu e respondeu que era muito bom trabalhar com essa estabilidade de não ter a pressão da busca por resultados imediatos. 

O treinador não chegou a estar ameaçado, mas ficou aliviado ao perceber que a entidade continua apostando em um trabalho de longo prazo. O Brasil caiu no primeiro jogo eliminatório após a Copa do Mundo e repetiu a história da Copa América 2011: perdeu para o Paraguai, na decisão por pênaltis, com um desempenho ruim nas cobranças. No sábado, Douglas Costa e Éverton Ribeiro chutaram para fora. Em 2011, o Brasil errou quatro cobranças. 

“O Dunga corre risco zero de ser demitido”, afirma Walter Feldman, secretário-geral da CBF. “A determinação do presidente é de poder absoluto para a comissão técnica”. 

Os números de Dunga são bons. Em 14 jogos, ele conquistou 12 vitórias e teve apenas duas derrotas. O futebol apresentado, no entanto, não convenceu. A equipe não fez nenhuma grande atuação na Copa América e parou no primeiro adversário cascudo que encontrou no torneio. Sem Neymar, restam poucas opções de criatividade e talento.

Pesou no voto de confiança dado por Del Nero os desfalques da equipe, que prejudicaram a campanha. Além de Neymar, que foi suspenso, Luiz Gustavo, Danilo e Oscar se machucaram. 

O próximo desafio será nas Eliminatórias para a Copa do Mundo, a partir de outubro. De acordo com a Conmebol, a tabela será conhecida no dia 25 de julho, em sorteio na cidade russa de São Petersburgo. 

Feldman avalia que a proposta de um trabalho de longo prazo não sofrerá alterações. “O Brasil tem poucos trabalhos a longo prazo. Não só no futebol, mas em diversas áreas. Isso é um problema”, avalia. 

Dunga já sabe que a pressão vai aumentar. Antes das Eliminatórias, o Brasil terá dois amistosos em setembro (Argentina e Estados Unidos). “Pressão no Brasil sempre tem. Quando ganha, tem pressão. Quando perde, muito mais. Tenho de trabalhar muito com minha equipe e confederação para dar respostas aos torcedores que estão tristes, assim como nós estamos. Temos de trabalhar muito”, disse o treinador. 

Segundo Dunga, a participação na Copa América deixou o saldo positivo da experiência para os jogadores jovens, que disputaram o torneio pela primeira vez. “Perdemos cinco jogadores importantes, que poderiam ter sido titulares, mas preparamos novos jogadores. Ganhamos novas opções”. 

Dunga deixou claro que o problema da seleção brasileira não é pontual, mas estrutural. Pela primeira vez, o time não vai disputar a Copa das Confederações. É mais um resultado ruim que faz parte de uma crise de identidade. 

“Todos temos de pensar no futebol brasileiro, não só no campo. A gente não pode deixar de notar que outras seleções melhoraram. Temos a humildade de arregaçar as mangas e trabalhar”, disse. 

O novo fracasso foi tratado de maneira contundente pela imprensa internacional.Um programa da televisão chilena perguntava se o Brasil ainda é uma potência mundial no futebol.O diário espanhol El País afirma que o Brasil não sabe mais como se chama.

 

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