Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Del Nero entra com habeas corpus para não ser preso

Presidente da CBF também quer ficar calado se for convocado pela CPI

O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2015 | 16h58

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu ao senador Romário (PSB-RJ) 48 horas para informar se vai ou não convocar o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero. O documento só chegou na manhã de ontem ao Senado. O pedido, em forma de medida cautelar, foi enviado à CPI do Futebol no Senado, com solicitação de informações para só então poder decidir sobre o habeas corpus em nome de Del Nero que tramita no Supremo.

O pedido do presidente da CBF quer do Supremo a garantia de poder permanecer calado durante a audiência na CPI. De acordo com o documento, Del Nero teme ser preso em flagrante “a pretexto da comissão de incorretos delitos, tais como desacato e falso testemunho”. Mas, como ele nem sequer foi convocado, Gilmar Mendes informou na medida cautelar que a análise do pedido é inviável. 

O pedido de habeas corpus data do fim do mês passado. Nele, o advogado José Roberto Batochio informa que, apesar de tentar ouvir o presidente da CBF como testemunha, “é inegável, manifesta e inequívoca sua condição de investigado e, diga-se, ostensivamente ameaçado a sofrer ilegalidades” na CPI. O documento menciona ainda a “declarada animosidade” entre Del Nero e Romário. 

Procurada pelo Estado, a CBF informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que “o presidente Marco Polo Del Nero está exercendo seu direito constitucional”.

Romário garante que tem em mãos documentos que podem comprometer Del Nero. “Recebemos várias informações que comprovam todo sistema corrupto do futebol brasileiro, onde a CBF é a cabeça de tudo isso. Logo, não podemos encerrar o trabalho de investigação tão promissora. São más notícias para o presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Marco Polo Del Nero, que ficará mais alguns meses sem poder sair do País”, disse.

O senador do PSB afirma que há sinais claros de corrupção na CBF. “Há graves indícios de irregularidades no COL (Comitê Organizador Local da Copa de 2014). Também há entre os requerimentos o pedido de quebra de sigilo telefônico e de e-mail do atual presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, e do ex-presidente preso, José Maria Marin, entre outros requerimentos. Posso afirmar que os fatos que descobrimos são bem piores do que imaginávamos. Encontramos indícios de muita corrupção e enriquecimento ilícito”.

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) também sugere que a situação de Del Nero é bem complicada. “Encontramos o fio da meada do esquema criminoso que, lamentavelmente, dirige o futebol brasileiro. Diante disso, temos que puxar o restante do novelo”, completou Randolfe. “É muito mais que batom na cueca.”

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