Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Presidente da CBF, Del Nero fecha acordo e deixa a Fifa

Cartola, que não aparece nas reuniões da entidade, será substituído

JAMIL CHADE / CORRESPONDENTE GENEBRA, O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2015 | 11h21

Atualizada às 13h20

Marco Polo Del Nero, investigado pelo FBI e sem poder deixar o Brasil, caminha para deixar a Fifa. A decisão já foi tomada pela alta cúpula da Conmebol e deve ser anunciada oficialmente no dia 26 de novembro, em uma reunião da entidade no Rio de Janeiro. O dirigente que comanda a CBF, porém, vai manter seu cargo na entidade nacional e um novo nome será escolhido entre os cartolas brasileiros para substituir Del Nero na Fifa. 

A CBF ainda não emitiu uma posição oficial, mas o Estado apurou com a alta direção do futebol sul-americano que o acerto foi fechado com o próprio Del Nero, o comando da Fifa e da Conmebol. Teria sido o brasileiro quem procurou um acordo, diante de sua ausências de suas funções na Fifa desde maio. 

Del Nero é um dos três representantes sul-americanos no Comitê Executivo da Fifa, uma espécie de governo mundial do futebol. Ele também é o vice-presidente do Comitê que organiza a Copa de 2018, presidente do Comitê de Futebol Olímpico e presidente o segmento da Fifa sobre Beach Soccer.

Ele ganhava US$ 200 mil por ano e assumiu o cargo em 2012 quando Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF, deixou a entidade. Mas, quando José Maria Marin foi preso em Zurique no dia 27 de maio deste ano, Del Nero deixou a Suíça em direção ao Brasil.

Ele é investigado pelo FBI, no mesmo caso que envolve Marin relativo ao recebimento de supostos subornos para a Copa do Brasil. Ele não acompanha a seleção em jogos no exterior e nem mesmo em eventos oficiais da Copa de 2018.

Del Nero perdeu três reuniões seguidas da Fifa e, amanhã, vai estar uma vez mais ausente da entidade máxima do futebol, em Zurique. Fontes de alto escalão confirmaram que a opção por sua substituição foi tomada depois que os dirigentes receberam alertas de que Del Nero poderia ser processado pelo Comitê de Ética, o que implicaria numa eventual punição que também afetaria seu cargo no Brasil. 

A Conmebol, porém, garante que a vaga no Comotê Executivo da Fifa continua sendo reservada para o Brasil e que, nos bastidores, a CBF já busca um nome. Dos dez membros da entidade continental, sete já estariam de acordo em dar o voto para um novo nome brasileiro.

Mas dirigentes uruguaios tentaram impedir o acordo, insistindo que não deveria haver a necessidade de uma vaga permanente para o Brasil. Os argentinos, que por décadas foram representados por Julio Grondona na Fifa, também estariam dispostos a buscar uma vaga. 

Mas com o apoio de Paraguai e outras federações nacionais, o Brasil poderia manter sua vaga. O novo representante passaria a atuar na Fifa a partir de dezembro, quando a entidade se reúne em Zurique para aprovar as reformas e preparar a eleição presidencial de fevereiro de 2016. 

Desde os anos 70 o Brasil mantém um representante no alto comando da Fifa, seja na presidência ou no Comitê Executivo. 

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