Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Del Nero defende árbitros e compara erro a pênalti perdido

Presidente da CBF publicou artigo no site oficial da entidade

Estadão Conteúdo

04 de setembro de 2015 | 18h24

O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Marco Polo del Nero, publicou artigo no site da entidade, nesta sexta-feira, para defender a atuação dos árbitros no Campeonato Brasileiro. No texto, o dirigente compara o papel dos juízes aos dos técnicos e dos jogadores, que também estão sujeitos a erros.

Del Nero ainda argumenta que a arbitragem brasileira vem tendo "consideráveis avanços" e cita, entre eles, o aumento no tempo de jogo e a "punição aos jogadores e técnicos que não se reportem com respeito ao árbitro". Na quarta-feira, o atleticano Marcos Rocha foi expulso por dizer: "Pô, foi falta, foi falta".

A carta do presidente da CBF vem após dirigentes de Atlético-MG e Fluminense reclamarem publicamente da atuação da arbitragem nas partidas de quarta-feira. Em Minas Gerais, o Atlético foi derrotado pelo Atlético-PR após gol em pênalti duvidoso. Em São Paulo, o time carioca teve um gol mal anulado contra o Corinthians.

Na quinta, a suspendeu um árbitro e cinco auxiliares pelos erros que cometeram em jogos do dia anterior pela 22ª rodada. Eles foram afastados após reunião da Comissão de Arbitragem, da Ouvidoria e da Corregedoria de Arbitragem.

CONFIRA O ARTIGO DE MARCO POLO DEL NERO NA ÍNTEGRA

São três equipes que participam de um jogo de futebol, as duas que se enfrentam e a arbitragem. Cada uma com seus objetivos, buscando o melhor, tentando acertar em todas as suas decisões. Mas mesmo sendo universal e lógica a consciência de que o homem é falível, razão por que seria razoável compreender e, até, aceitar os erros dos árbitros de futebol, quiçá com a mesma benevolência com que são entendidas e tidas como naturais as falhas dos jogadores, treinadores e dirigentes, a realidade é que assim as coisas não se passam. É a invencível força da cultura universal do futebol de que a culpa sempre é do árbitro.

É natural que, ao contrário do que muitos possam pensar, essa regra cultural impõe aos árbitros e à CBF um grande desafio. O de reconhecer os erros e buscar o aperfeiçoamento, tanto por obrigação institucional, como por desejo de triunfo, de acerto, de credibilidade ética e reconhecimento técnico.

Assim tem sido em relação à Comissão de Arbitragem, onde verificamos consideráveis avanços. A elevação do tempo de bola em jogo, a redução do número de faltas, a punição aos jogadores e técnicos que não se reportem com respeito ao árbitro, tudo isso colabora para nossa colocação entre os países em que menos se interrompe o jogo. É visível, inclusive retratado pela própria mídia, a melhoria no aspecto físico dos árbitros.

Somente nesta temporada, a CBF já enviou instrutores para que 22 Federações realizassem suas pré-temporadas. Estão em andamento 27 cursos nos moldes da FIFA. Foram realizadas mais de 30 avaliações físicas e teóricas e quatro cursos internacionais para árbitros de elite, árbitros promissores, instrutores técnicos e físicos. Temos feito um trabalho de avaliação contínuo e responsável, amparado na parceria importante da Ouvidoria e da Corregedoria de Arbitragem.

Todas as medidas têm sido tomadas para minimizar erros. Mas como acertar 100% das 160 decisões que um árbitro toma durante cada partida? Temos a consciência que o erro pontual acompanhará sempre o árbitro de futebol porque ele é humano, não uma divindade. Assim como o centroavante erra o pênalti apesar de sua preparação, como o treinador se equivoca na substituição.

Deve ser lembrado que os jogadores, que são os verdadeiros ídolos, têm a elevada missão de ajudar a trazer o respeito de volta ao futebol por meio de ações éticas nos campos.

Enquanto não entendermos isto, continuaremos a assistir a discursos inflamados. Muitas vezes feitos por dirigentes apaixonados que ultrapassam os limites e geram um clima de animosidade, amparado em inaceitáveis teorias da conspiração sobre favorecimentos a quem quer que seja.

A CBF, as entidades que cuidam da arbitragem, seus instrutores e os próprios árbitros trabalham duramente para alcançar suas metas. Temos convicção da transparência e da idoneidade da arbitragem brasileira e a recíproca, tenho certeza, é verdadeira. Os árbitros e assistentes sabem de sua responsabilidade e têm consciência de que estão sendo avaliados a cada rodada. Erros graves continuarão sendo punidos como tem sido feito. Entendemos que reconhecer o erro e puni-lo seja a melhor forma de instigarmos o conhecimento e desafiarmos os profissionais a se prepararem e serem cada vez melhores, da mesma forma que os clubes afastam seus atletas em busca de uma recuperação técnica.

Isto é o que esperamos de todos os protagonistas do jogo.

Tudo o que sabemos sobre:
FutebolCBFArbitragemBrasileirão

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.