?Delegado? do Corinthians pede calma

Os 64 anos de Antônio Lopes o fizeram aprender como poucos a valorizar a prudência. Apesar de todas as evidências apontarem o tetracampeonato do Corinthians no domingo, ele não assume o favoritismo. Pelo contrário: sabe que se afrouxar, os jogadores vão junto.?A pior coisa que pode acontecer é falar para um grupo que pode empatar ou perder de pouco. Isso faria um enorme mal ao time. Jogador que foi acostumado a sempre entrar em campo para vencer não sabe jogar pelo regulamento. Por isso não tem essa história de que o Corinthians já é campeão. De jeito nenhum. Não vou menosprezar o Internacional. Nem eu, nem meus jogadores?, disse em entrevista à Agência Estado.Agência Estado - Quando você chegou ao Corinthians esperava que poderia ser campeão de uma maneira tão fácil? Antônio Lopes - Não tem essa história de ser campeão, porque o meu time ainda não é. Mas eu estava trabalhando no Atlético Paranaense e via o potencial de campeão que o grupo corintiano tinha. O que foi ótimo também foi chegar e não encontrar sub-divisões. Os argentinos e os brasileiros se dão muito bem. Esse gringo, o Tevez, é uma figura excelente, brinca com todos, é a nossa estrela e o nosso líder. Também não havia briga por salários. Isso foi fundamental para o sucesso.AE - É verdade que vocês estão no lucro? O projeto do Kia Joorachian era de apenas se classificar para a Libertadores? Lopes - Sim. Ganhar o Brasileiro é realmente um bônus. O objetivo da MSI é vencer a Libertadores da América. Querem porque querem essa conquista. Ser campeão do Brasil é excelente, mas é bônus. É um superbônus.AE - Você assumiu o cargo porque o Márcio Bittencourt era considerado amigo demais dos jogadores. E parece que cumpriu a missão. O Carlos Alberto, que era o ?rei das indisciplinas?, não atrasou sequer um dia com você. Lopes - Eu sou pela disciplina. Sabia da fama do Carlos Alberto, a imprensa toda já havia noticiado. Não faço vista grossa em relação às indisciplinas. Já fui muitas vezes tirar jogadores da delegacia e ninguém soube. Cobro, mas sou amigo. Não tive um problema aqui no Corinthians porque o grupo entendeu o que eu quero e o que está em jogo.AE - Como você resolveu a questão da defesa, que tomava muitos gols bobos com o Márcio? Lopes - Trabalhei o time como um todo. Mas é verdade que o time sofria gols por falta de concentração. Trabalhei muito com os atletas e o resultado veio rápido.AE - Você teve duas derrotas no Brasileiro, Cruzeiro e São Caetano. Houve a desclassificação da Copa Sul-Americana. Como é que o Corinthians, que é um barril de pólvora, passou tranqüilo por esses momentos ruins ? Lopes - Simples: não importou nem a mim e nem ao grupo o que a imprensa comentava. As tentativas de implantação de crise ficaram bem longe do Parque São Jorge. Consegui blindar o grupo. Quando acho que precisa, eu blindo mesmo.AE - Foi escalado um árbitro gaúcho para apitar Corinthians e Goiás. Não é um risco? Ele não pode ajudar o Internacional ? Lopes - Não tenho a menor preocupação. Esse juiz apita no Paraná. É professor de faculdade, é uma pessoa idônea. Fiquei satisfeito com a sua indicação.AE - Qual a importância do Tevez para o time ? Você tem a garantia de que o Tevez vai continuar para a Libertadores ? Lopes - O Tevez é o nosso craque. Ele desequilibra as partidas. É o nosso grande jogador. O time sente quando ele está ou não no campo. E principalmente a torcida. Agora, em relação à Libertadores, eu falei com o Kia e ele me garantiu que o grupo será mantido. Principalmente o Tevez e o Mascherano. Mais eu não vou falar. Vou conversar com o Kia de novo na terça-feira e preparar a lista de reforços. O que saiu publicado em relação a Marcão e Diego do Atlético Paranense pode esquecer. Eles não virão.AE - Você acha que o Corinthians já é tetracampeão? Lopes - De jeito nenhum eu vou falar uma coisa dessas. Esquece.

Agencia Estado,

02 de dezembro de 2005 | 08h56

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