Delegado volta a ouvir cardiologista Bocchi

A partir de amanhã, o delegado Guaracy Moreira Filho, do 34.º DP, retoma o inquérito sobre a morte de Serginho e inicia nova fase de depoimentos a pedido do promotor Rogério Leão Zagallo. Um dos ouvidos será o cardiologista Edimar Bocchi, responsável pelos exames do jogador no Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas. Bocchi prestou depoimento em 19 de novembro, afirmando ter alertado diversas vezes o jogador e o médico do São Caetano, Paulo Forte, de que havia risco de morte caso Serginho continuasse jogando futebol. No dia 30, porém, Bocchi assinou nota conjunta com Forte atribuindo a morte à uma fatalidade. Hoje, o cardiologista deu novas explicações sobre sua atitude. "Em nenhum momento a declaração da última terça (30/11) desmente ou desqualifica tudo o que foi dito em depoimento. A declaração é um esclarecimento, mas de interpretação das possíveis causas que mataram o jogador", diz Bocchi. "Em relação ao termo fatalidade, cabe esclarecer que morrer de arritmia provavelmente desencadeada por miocardiopatia hipertrófica foi algo inesperado. Mas, a morte, nesse caso, poderia ter sido prevenida." Bocchi alega que a doença que matou Serginho, a miocardiopatia hipertrófica, não existia ou não podia ser identificada no momento da realização dos exames (fevereiro e junho). Os problemas detectados antes, porém, eram suficientes para o afastamento. "A possibilidade da hipertrofia ser uma evolução das alterações prévias não está totalmente afastada, mas é pouco provável." Além de Bocchi, o delegado tomará o depoimento dos cardiologistas Eduardo Sosa, do Incor, e José Carlos Pachón, do Hospital do Coração. O médico Nabil Ghorayeb, também listado pelo promotor, pediu ao delegado, e foi atendido, para não depor por fazer parte do tribunal do Conselho Regional de Medicina de São Paulo que julgará o caso.

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