Márcio Dolzan/Estadão
Márcio Dolzan/Estadão

Delfim Peixoto ataca eleição da CBF: 'Foi golpe'

Coronel Antônio Carlos Nunes foi empossado nesta quarta-feira

MARCIO DOLZAN, O Estado de S. Paulo

16 de dezembro de 2015 | 18h05

Apesar de o coronel Antônio Carlos Nunes, presidente da Federação Paraense de Futebol, ter sido eleito e já empossado vice-presidente da CBF com a anuência de 44 dirigentes, a eleição desta quarta-feira segue sendo considerada irregular por alguns cartolas. Ednaldo Rodrigues, que é presidente da Federação Baiana, e dois dos vice-presidentes da CBF, Delfim Peixoto e Gustavo Feijó, insistem que o estatuto da entidade foi infringido. Para Peixoto, houve um golpe.

"Lógico que foi golpe. ''Ah, foi uma jogada política''. Jogada política, foi golpe!", afirmou Delfim, logo após a assembleia. "O Marco Polo (Del Nero, presidente licenciado) quer saber se ele vai continuar mandando. Ele está fora, mas está mandando. Todo mundo sabe. Todo mundo que está aí é gente dele. É gente que segue o que ele manda."

Para Delfim Peixoto, a eleição do coronel Nunes não vai alterar o panorama do futebol brasileiro. "A chegada do Nunes, com todo o respeito que eu tenho por ele, não vai mudar nada. Ele vai continuar lá no Pará, de vez em quando ele vem por aqui..."

Delfim, que também preside a Federação Catarinense e até antes da eleição de Nunes era o primeiro na linha de sucessão na CBF, move uma ação na 2ª Vara Cível do Rio contra a assembleia eleitoral desta quarta. Ele chegou a obter uma liminar proibindo a realização do pleito, derrubada na véspera pela CBF.

"A convocação da eleição não poderia existir. Foi um juiz quem disse isso (Mario Cunha Olinto Filho). Um magistrado jovem, inteligente, que deu um excelente despacho. Não o conheço, nunca o vi na vida, não sei quem é. Só vi seu nome, e deu um excelente despacho que suspendeu a eleição", declarou.

Depois, ele criticou a decisão da desembargadora Cláudia Pires dos Santos Ferreira, da 6ª Câmara Cível, que acatou agravo da CBF na terça e permitiu o pleito. "A desembargadora, que provavelmente não conhece futebol, não leu o estatuto da CBF, muito rapidamente, em uma hora, derrubou um estudo profundo", considerou Peixoto, lembrando que a ação prossegue na Justiça do Rio.

Gustavo Feijó, vice que representa a região Nordeste e que nesta quarta se absteve de votar - ele representou o CRB -, aponta para o desrespeito em diversos itens do estatuto. "Já me manifestei. Houve uma reunião pela manhã com o presidente em exercício (Marcus Vicente) e também vou fazer por escrito. Somos regidos pelo estatuto, e se nós não pudermos cobrar nosso direito, eu não sei onde o País vai parar", comentou.

Ele admitiu ainda que o estatuto da CBF "passa batido" por boa parte dos dirigentes. "Confesso a todos vocês, e peço desculpas até a mim mesmo, porque eu nunca tinha parado para estudar o estatuto da casa. Quando a gente precisa, quando assume algumas posições, é preciso entender os direitos e os deveres. E muitas vezes a gente aqui na casa foi se passando e nunca paramos para ver."

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