Rodrigo Gazzanel/Agência Corinthians
Rodrigo Gazzanel/Agência Corinthians

Demissão de Carille inicia série de mudanças no Corinthians

Cartolas prometem ‘reformulação’ no elenco e nome de Tiago Nunes ganha força para ser o comandante da equipe

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2019 | 04h32

A demissão de Fábio Carille é o pontapé inicial de uma grande reformulação do Corinthians para a próxima temporada. O presidente do clube, Andrés Sanchez, já deu recado aos jogadores e avisou que a mudança será grande. Dirigentes, jogadores e integrantes da comissão técnica estão na mira e as transformações devem começar nessa semana – o clube deseja que Tiago Nunes, técnico do Athletico-PR, aceite, da forma mais rápida possível, ser o novo comandante da equipe.

Além de Carille, demitido pouco depois de ser goleado pelo Flamengo, o clube também desligou os auxiliares Leandro Cuca e Fabinho, o preparador físico Walmir Cruz e o analista de desempenho Denis Luup. E Emerson Sheik, coordenador de futebol, pediu demissão na segunda-feira. Vilson é outro que pode sair nos próximos dias. Os dois assumiram o futebol no início do ano, mas decepcionaram Andrés e a torcida. A tendência é que o clube vá ao mercado também em busca de um novo dirigente para comandar o futebol na próxima temporada. 

Encontrar rapidamente um novo treinador é o que mais preocupa a diretoria – Tiago Nunes, do Athletico-PR, é o nome mais cotado para assumir o comando da equipe. Diante do Fortaleza, amanhã, Dyego Coelho será o interino. Ele é o técnico do Sub-20 e, por enquanto, não há a intenção de efetivá-lo no cargo. A diretoria quer alguém que chegue para apagar o incêndio deixado por Fábio Carille, que criticou muito o elenco nas últimas semanas. 

Tiago Nunes é o plano A e o único no momento da diretoria. O treinador do Athletico-PR sabe do interesse corintiano, mas ele não quer deixar o Furacão antes do término do Brasileirão. O Corinthians ainda tenta convencê-lo a assumir o time agora, mas poderia aceitar esperar o término do campeonato, caso o treinador dê sua palavra de que trabalhará no clube em 2020. Caso contrário, a diretoria alvinegra partirá para outra alternativa.

Elenco

Se dependesse da vontade de Andrés e seus aliados, boa parte do elenco já seria afastado ou negociado antes mesmo do término do Brasileirão. O jeito é torcer para que o atual grupo de jogadores consiga uma classificação para a Libertadores. Na visão do dirigente, alguns atletas estão acomodados ou perderam o interesse em jogar pelo clube. Uma lista mais definida de quem não ficará para 2020 passará fundamentalmente pelo novo treinador. 

A apatia demonstrada pelo time nos últimos jogos deixou os cartolas irritados. Apesar da cobrança em cima dos jogadores, Andrés também viu Carille fracassar na tentativa de retomar o caminho das vitórias. O jeito foi transformar a queda do treinador no “algo novo”.

Dos 32 atletas do atual elenco, apenas 14 têm assegurado a permanência para o ano que vem. Exceto, claro, se surgir uma boa proposta inesperada. Isso não significa que os outros 18 vão sair, mas pelo que se fala nos bastidores, são jogadores que ainda não têm assegurada a permanência para 2020.

Da lista, seis deles dificilmente permanecerão para a próxima temporada: Walter, Manoel, Matheus Jesus, Ramiro, Jadson e Régis. Walter tem contrato até o fim de dezembro e, embora tenha dito que negocia a renovação de contrato, hoje parece mais próximo de sair do que ficar. Manoel, Matheus Jesus e Régis estão emprestados também até dezembro e não devem ser comprados. 

Jadson caiu muito de rendimento nos últimos meses e a diretoria deve liberá-lo para procurar clube. O problema é o alto salário, mas o clube está disposto a emprestá-lo. Ramiro conta com contrato mais longo, mas não convenceu e também deverá estar na lista dos negociáveis. 

Algo que pode facilitar os planos de uma grande reformulação é o fato de boa parte do elenco ter contratos se encerrando no final de 2020. Ou seja, o clube negocia eles agora ou corre o risco de perdê-los de graça a partir do meio do ano que vem. 

QUEM FICA (nome, posição e tempo de contrato)

  • Cássio (goleiro) - 31/12/2022
  • Caíque (goleiro) - 31/12/2020
  • Filipe (goleiro) - 31/12/2021
  • Walter (goleiro) - 31/12/2019
  • João (zagueiro) - 31/7/2022
  • Léo Santos (zagueiro) - 12/9/2020
  • Bruno Méndez (zagueiro) - 31/12/2023
  • Carlos (lateral) - 31/12/2021
  • Lucas Piton (lateral) - 31/12/2022
  • Junior Urso (volante) - 31/12/2021
  • Pedrinho (meia) - 31/12/2020
  • Mateus Vital (meia) - 31/12/2021
  • Vagner Love (atacante) - 31/12/2020
  • Janderson (atacante) - 31/12/2023
  • Everaldo (atacante) - 30/6/2023

PODE SAIR

  • Gil (zagueiro) - 31/12/2019
  • Marllon (zagueiro) - 31/12/2021
  • Fagner (lateral) - 31/12/2022
  • Danilo Avelar (lateral) - 31/12/2022
  • Michel (lateral) - 31/12/2021
  • Gabriel (volante) - 31/12/2020
  • Ralf (volante) - 31/12/2020
  • Renê Júnior (volante) - 31/12/2020
  • Sornoza (meia) - 31/12/2022
  • Clayson (atacante) - 31/12/2021
  • Gustavo (atacante) - 31/12/2022
  • Mauro Boselli (atacante) - 30/12/2020

DIFICILMENTE FICA

  • Manoel (zagueiro) - 31/12/2019
  • Matheus Jesus (volante) - 31/12/2019
  • Ramiro (volante) - 31/12/2022
  • Jadson (meia) - 31/12/2020
  • Régis (meia) - 31/12/2019

Alvinegro tem de voltar às suas origens (por Wilson Baldini Jr.)

O Corinthians vive seu pior momento desde “ressurgir” em 2008. Tudo por culpa de seus dirigentes. Após o inesquecível ano de 2012, o time do Parque São Jorge pensou ser um Real Madrid ou um Manchester United. É chegado o momento de voltar às origens e levar ao estádio o povo que empurrou o time durante 22 anos em busca de um título. O Corinthians atual não tem estrutura para suportar pressão como a que ocorreu entre 1955 e 1977. O Corinthians, como instituição, deixou de ser “raiz” após 2012. Perdeu sua essência. Faz tempo que é um clube arrogante, a começar pela exagerada e impagável Arena em Itaquera. Saudade do Pacaembu.

Problema é maior e está no andar de cima (por Raphael Ramos)

Ao promover uma “limpa” no departamento de Futebol do Corinthians, o presidente Andrés Sanchez tenta arrumar com 11 meses de atraso erros cometidos no início da temporada. Andrés foi alertado sobre os riscos de nomear Emerson Sheik e Vilson como dirigentes, mas mesmo assim bancou os dois ex-jogadores. Deu no que deu. O pior é que essa não é a primeira vez na atual gestão de Andrés que o Corinthians chega ao fim do ano pior do que começou. Em 2018 foi assim também, quando saiu Jair Ventura e Fábio Carille voltou ao Parque São Jorge. Só trocar técnico não é solução. O problema é maior e está no andar de cima.

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