Marcos de Paula/Estadão
Marcos de Paula/Estadão

Demitidos do Botafogo mostram revolta com presidente do clube

Entrevista de Emerson Sheik, Bolívar, Julio César e Edílson é mais um capítulo da crise na equipe, 19.ª colocada no Brasileirão

RONALD LINCOLN JR., O Estado de S. Paulo

15 de outubro de 2014 | 17h52

Demitidos de forma polêmica do Botafogo pelo presidente do clube, Maurício Assumpção, há duas semanas, os jogadores Emerson, Bolívar, Julio César e Edílson comentaram a saída do clube em entrevista nesta quarta-feira, em um restaurante na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio. A ausência ocorre em um período de dificuldade para o time, que ocupa a zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro. Além disso, os quatro desligados eram considerados os melhores atletas do elenco, ao lado do goleiro Jefferson, que segue no elenco alvinegro.

O aviso de rescisão do contrato foi feito no início deste mês e até hoje os jogadores não entendem o motivo. "Ele falou que nós íamos ao médico normalmente. Não nos atrasávamos, não faltávamos. Ele nunca foi treinador de futebol para avaliar a parte técnica. Aí manda a gente embora do nada", afirmou o atacante Emerson.

O Botafogo vive uma grande crise financeira e os jogadores demitidos - principalmente Bolívar e Emerson - faziam cobranças públicas pelos salários atrasados, mas para eles, os pedidos eram justos e nem por isso houve corpo mole dentro de campo. "Na verdade nem é cobrança, é direito que temos de receber salário. Sempre que fizemos reunião, não era com o presidente, mas com pessoas de confiança dele. Sempre tinha decisão com a comissão e jogadores para poder falar alguma coisa. Quando tomávamos decisão era por todos. Pelos funcionários também", explicou o zagueiro Bolívar.


Os jogadores se mostraram sensibilizados pela fase do Botafogo em campo e afirmaram que se o clube for rebaixado, será por culpa do presidente. Mas, além disso, se mostraram preocupados com suas carreiras. "Não foram quatro juvenis que foram afastados. Cada um de nós tem uma história no futebol, que não foi respeitada. Ficamos preocupados com a situação do Botafogo, mas também de manchar a nossa história", contou Emerson.



Edílson, que estava sob cuidados médicos quando foi desligado, declarou que tinha que pagar os próprios remédios durante a recuperação. Emerson foi mais além. Ele recebia o pagamento do Corinthians, então não sofria diretamente com a crise do Botafogo e revelou que por diversas vezes teve de contribuir financeiramente com funcionários do clube que chegavam até a "passar fome", conforme informou.



O lateral-esquerdo Julio Cesar se mostrou indignado com a forma com que foram avisados sobre a rescisão - por telefone. "Acho que o presidente tinha que ser homem de chegar para gente e falar a verdade. Não foi isso que aconteceu. Por telefonema, e-mail? Acho que ele tinha que ser homem de chegar na gente e assumir. Em hora nenhuma falou com a gente", criticou.



No fim da entrevista, os jogadores explicaram que seguem tentando manter a forma física, treinando em academias particulares - menos Emerson, que segundo ele, frequenta a praia pela manhã. No momento, eles não podem atuar em outros clubes da primeira divisão e só devem voltar aos gramados em 2015.

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