Dan Chung/Reuters
Título foi a primeira conquista internacional do clube Dan Chung/Reuters

DEPOIS DE 15 ANOS, CORINTHIANS RELEMBRA 1º TÍTULO MUNDIAL

Em janeiro de 2000 o clube chegou à primeira conquista internacional, ao desbancar os poderosos Real Madrid e Manchester United no torneio da Fifa

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

14 de janeiro de 2015 | 06h50

Invasão da torcida visitante, Maracanã, pênaltis e festa do Corinthians. O clube viveu esse roteiro em 1976, quando milhares de pessoas saíram de São Paulo e foram ao estádio carioca ver o time eliminar o Fluminense na semifinal do Brasileirão. A grande mobilização se explicava pelo jejum de 22 anos sem conquistas. Já em 2000, há exatos 15 anos, muitos elementos foram parecidos, exceto o desfecho. O clube deixou o estádio com uma taça em mãos e era justamente a de campeão do Mundial de Clubes, a principal conquista da sua história até então.

Outra diferença é que a maciça presença da torcida não se deu por algum jejum de títulos, pelo contrário. Cerca de 20 dias antes o Corinthians havia sido campeão brasileiro, mas ainda faltava algo na sala de troféus do Parque São Jorge. A coleção de taças ganhou outro status com a primeira conquista internacional do clube, obtida logo na primeira edição de um mundial interclubes organizado pela Fifa.

A entidade escolheu o Brasil para ser sede do campeonato e o Corinthians foi convidado a entrar na disputa por ter sido em 1998 campeão nacional. Os demais participantes foram o Vasco, ganhador da Libertadores de 1998, fora os poderosos europeus Manchester United e Real Madrid, ambos campeão da Liga dos Campeões. Completaram a lista os campeões continentais South Melbourne (Austrália), Necaxa (México), Al Nassr (Arábia Saudita) e Raja Casablanca (Marrocos).


 No Rio, a sede dos jogos foi o Maracanã, e em São Paulo, as partidas seriam no Morumbi, onde o time do técnico Oswaldo de Oliveira se sentia à vontade. Em pleno estádio do rival a equipe havia garantido os dois últimos títulos brasileiros e 16 dias depois da última conquista, voltava no mesmo campo para estrear, para enfrentar o Raja Casablanca e também o cansaço.

"Fomos campeões contra o Atlético-MG no dia 22 de dezembro e já no dia 26 a gente se reapresentou para treinar. Mal tivemos tempo de descansar ou até para se preparar pensando somente no Mundial", contou o ex-volante Vampeta. Além dele, jogadores como Ricardinho, Rincón e Marcelinho estavam desgastados e jogaram contra os marroquinos no sacrifício na vitória por 2 a 0.

Para dois dias depois estava marcado o principal confronto da primeira fase. Com pouco tempo de descanso era a vez de encarar o favorito Real Madrid. Em um jogo equilibrado e emocionante, as equipes empataram em 2 a 2, com direito a um golaço de Edilson e a uma defesa de Dida em pênalti cobrado pelo francês Anelka. "O time deles veio completo e jogaram para valer, sem menosprezar a gente. O Real sabia que o Corinthians tinha qualidade e o empenho deles em campo valorizou o nosso resultado", disse Luizão, atacante da equipe.

No fim da primeira fase, Corinthians e Real Madrid terminaram empatados em pontos. A equipe paulista passou à decisão graças ao saldo de gols melhor (4 contra 3), garantido na vitória pela última rodada sobre o Al Nassr por 2 a 0.

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Decisão do Mundial teve 120 minutos e desfecho somente nos pênaltis

Corinthians e Vasco travaram um drama no Maracanã até a definição, quando Dida brilhou e Edmundo perdeu o último chute

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

14 de janeiro de 2015 | 06h50

A torcida corintiana viajou até o Rio para empurrar o time contra o favorito Vasco. Dono da casa e da melhor campanha na primeira fase, contava com Romário e Edmundo em grande fase, além de estar embalado pelos 3 a 1 sobre o Manchester United. "A pressão para ganhar era toda do Vasco. Eles se prepararam para o torneio durante muito mais tempo do que nós, porque não estiveram na fase final do Brasileirão e jogavam em casa", comentou Luizão.

A equipe paulista vinha desgastada pela sequência de jogos e foi para a decisão confiante no setor defensivo. O goleiro Dida era seguro e frio e na zaga o time também sentia tranquilidade. "O Fábio Luciano e o Adilson Batista tinham acabado de chegar no Corinthians, então não estavam tão desgastados. Isso ajudou a dar mais equilíbrio", recorda Vampeta.

Em jogo tenso, disputado no dia 14 de janeiro, o empate sem gols durou longos 120 minutos. A decisão nos pênaltis não amenizou a expectativa da torcida, apesar da extrema confiança em Dida. Na hora de definir os cobradores, o técnico surpreendeu e listou os então garotos Edu e Fernando Baiano. "Foi ótimo eles terem batido e convertido, para pegarem confiança, já que estavam iniciando a carreira", contou Luizão, que também converteu a cobrança em cima do goleiro Hélton.

Dida fez o que todos esperavam dele e defendeu o chute de Gilberto. Bastava então Marcelinho Carioca fazer o gol para confirmar o título, mas ele perdeu. A última cobrança seria de Edmundo, ídolo do rival, Palmeiras, e adorado pelos vascaínos. Mas a bola foi para fora e, assim, estava sacramentado o 4 a 3 para o Corinthians.

"A conquista do Mundial de 2000 foi a consagração final do ótimo trabalho de um time, de uma comissão técnica, de uma direção, que culminou com a conquista de vários títulos e marcou seu nome na história do Corinthians", recordou Ricardinho, um dos meias daquele time.

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