Depois de 64 anos, Celeste volta ao palco de sua maior conquista

No Maracanã, onde derrotou o Brasil na final da Copa de 1950, o Uruguai tentará avançar para as quartas de final

Luís Augusto Monaco - enviado especial ao Rio de Janeiro, O Estado de S. Paulo

28 de junho de 2014 | 05h00

O palco é o mesmo da maior vitória da história da Celeste e, um pouco por superstição e muito por conveniência para motivar ainda mais o time, o jogo de hoje contra a Colômbia é visto pelos uruguaios como a chance de registrar um novo "Maracanazo".

Sessenta e quatro anos depois da vitória sobre o Brasil na final de 1950, o Uruguai volta hoje ao estádio para disputar um Mundial. E, como naquele dia, se sente contra tudo e contra todos por causa da punição a Suárez. Também como naquele dia, os uruguaios sabem que só com a proverbial garra de um grupo muito unido conseguirão derrubar, de novo, o favorito - não por acaso, os veículos de comunicação do país promovem a hashtag 'Somos todos Suárez' para mostrar aos jogadores que não estarão sozinhos na batalha.

A decisão da Fifa, que alijou da Copa o principal jogador do time, está sendo encarada pelos uruguaios como uma provação. Se com ele já seria duro enfrentar a Colômbia - segundo avaliação do capitão Lugano, foi o melhor time da primeira fase -, agora será ainda mais difícil. Mas se avançarem para as quartas, terão escrito outra página gloriosa à base de muita luta e muito suor. E de novo no Maracanã.

Depois da vitória sobre a Itália, em Natal, alguns jogadores falaram sobre o significado de jogar nesse estádio. E, claro, fizeram menção ao título mundial ganho aqui.

"Será lindo disputar uma partida tão importante num estádio que representa tanto para o nosso país desde 1950. Vai ser um dia especial", disse o meia Gastón Ramírez. "Jogar no palco daquela conquista é uma oportunidade única na carreira", afirmou o atacante Stuani.

A tarde de 16 de julho de 1950 é a mais feliz do futebol uruguaio, mas, de lá para cá, os resultados da seleção no Maracanã estiveram longe de empolgar. Em dez partidas (veja mais informações ao lado), foram seis derrotas (todas para o Brasil, com direito a duas goleadas), dois empates (um com o Brasil, em 2000, na última vez em que a Celeste esteve no estádio, e outro com Portugal, em 1972) e duas vitórias, contra Argentina e Paraguai - ambas pelo quadrangular final da Copa América de 1989. Foram 18 gols sofridos e nove marcados.

Romário, o carrasco

Duas das derrotas para o Brasil foram em partidas muito importantes, em que o "fantasma de 1950" foi evocado nos dias que as antecederam. Em 1989, o jogo era válido pela final da Copa América. Depois de duas rodadas do quadrangular final, brasileiros e uruguaios chegaram à decisão com duas vitórias cada um. Mas a Celeste tinha a vantagem do empate pelo saldo de gols. E, por uma grande coincidência, a data da partida era a mesma da final do Mundial de 1950: 16 de julho.

Diante de quase 170 mil pessoas, a seleção brasileira venceu por 1 a 0, com um gol de cabeça de Romário no segundo tempo depois de cruzamento da direita feito por Mazinho.

A segunda vez em que o "Maracanazo" foi muito lembrado antes de um Brasil e Uruguai aconteceu em 1993. O jogo valia vaga na Copa do Mundo de 1994, e a Celeste novamente jogava pelo empate. O técnico brasileiro, Carlos Alberto Parreira, cedeu ao clamor popular e convocou Romário - que havia ficado fora de toda a campanha nas Eliminatórias. E o baixinho resolveu de novo, marcando os dois gols que classificaram a seleção para o Mundial nos Estados Unidos - onde seria figura estelar na conquista do tetra.

Essas lembranças machucam os uruguaios, mas nem de longe ofuscam a conquista de 1950. Hoje, tentarão mostrar que o Maracanã voltou a ser deles.

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