Depois de ficar preso por 123 dias, Rincón quer vingança

'Não é o sentimento ideal, mas não vou perdoar quem fez a minha família sofrer tanto', afirma o ex-jogador

Cosme Rímoli, Jornal da Tarde

19 Setembro 2007 | 00h39

123 dias e 123 longas noites em uma apertada cela na Polícia Federal. Motivo: o governo do Panamá o acusa de tráfico e lavagem de dinheiro. Vários amigos muito íntimos sumiram com medo de Rincón ser culpado. Tinham certeza de que ficaria três anos preso antes de ser extraditado ao Panamá. Ele não quis ver fotos nem dos filhos. E não permitiu que fossem à cadeia para vê-lo. Sufocava a saudade escrevendo sua biografia. Sem fome, corria o dia inteiro. Seu peso caiu de 102 para 91 quilos. Até que um inesperado habeas corpus foi dado pelo Supremo Tribunal Federal de Brasília. Chegou a liberdade e a hora da vingança. "Sei que a vingança não é o sentimento ideal, mas não vou perdoar quem fez a minha família sofrer tanto. Fui apenas um bode expiatório de uma situação envolvendo gente poderosa do Panamá", diz o ex-jogador. "Até o nojento do presidente do Santos [Marcelo Teixeira] quis se aproveitar da minha prisão achando que vai ganhar a ação [de R$ 13 milhões] que tenho contra o clube ao qual emprestei dinheiro. Vou limpar o meu nome e cobrar quem me prejudicou", afirmou nesta terça-feira o colombiano na primeira entrevista que deu desde que foi solto na sexta-feira passada. Poucas visitas Rincón foi preso por ter investido US$ 750 mil (cerca de R$ 1,4 milhão) na empresa panamenha de lanchas Nautipesca. Por trás da empresa estava o amigo Pablo Rayo Montãno. Rincón foi convencido a investir na Nautipesca depois de conversar com a ex-presidente do Panamá, Mireya Moscoso. Nas lanchas foram encontradas cocaína. "Ele está sendo usado para desviar a atenção da ex-presidente. O Rincón é inocente. O meu país acredita nele e está ao seu lado", disse o cônsul-geral da Colômbia, Mauricio Acero Montejo, que fez questão de estar na entrevista de Rincón. "Não posso ser preso por ter confiado em um amigo. Não sabia sobre as drogas. Sou inocente e não tenho vergonha de dizer que o meu erro foi confiar em pessoas erradas", explica Rincón. O colombiano releva que o pior momento foi quando agentes da Polícia Federal foram até a sua casa prendê-lo. "Eles me respeitaram, mas foi duro demais sair da minha casa para uma prisão sem ter feito nada." Rincón teve na sua esposa Priscila uma guerreira. Enquanto o advogado Eduardo Nunes de Souza utilizava todas as armas legais para evitar a extradição par o Panamá, sua esposa animava o marido e tratava de enfrentar quem sujava a sua imagem. Ela deu até uma entrevista a uma rádio panamenha acusando a ex-presidente Mireya. "A Priscila foi pai, mãe, uma guerreira. Ela representou a liberdade para mim. A liberdade tem um rosto para mim. E é o dela", afirmou o ex-volante do Corinthians. Roque Citadini, Vampeta, César Sampaio, Cris e Ewethon foram as únicas pessoas do mundo do futebol que o visitaram. "Tomei um tapa na cara quando vi o Citadini, com quem tive tantos problemas, me ajudando. E muitos que se diziam meus amigos não foram me ajudar. Fiz uma peneira na minha vida. Agora sei quem é quem."

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